Pezão revoga nomeação de aliada de Cunha ré na Lava Jato

Pezão revoga nomeação de aliada de Cunha ré na Lava Jato

Governo do Rio divulgou nota nesta tarde afirmando que teria sido informado pelo Ministério Público Federal que Solange Almeida, acusada de atuar para o ex-deputado Eduardo Cunha, foi condenada em segunda instância por improbidade

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo

14 Março 2017 | 18h50

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Da esquerda para a direita, Luiz Fernando Pezão, Solange Almeida, Sérgio Moro e Eduardo Cunha

O governador do Rio Luiz Fernando Pezão (PMDB) tornou sem efeito nesta terça-feira, 14, a nomeação para o cargo de secretária de Estado da ex-deputada ré na Lava Jato e aliada de Eduardo Cunha (PMDB), Solange Almeida (PMDB), publicada na segunda-feira, 13, no Diário Oficial do Estado.

Segundo nota divulgada pelo governo do Rio nesta tarde, a decisão do governador foi tomada após o recebimento de um comunicado do Ministério Público Federal (MPF), com a informação de que Solange foi condenada em segunda instância por improbidade administrativa.

A perda do efeito da nomeação será publicada nesta quarta, 15, no Diário Oficial. Segundo a nota, o novo titular da Secretaria será nomeado em breve.

Foro. Ao nomear Solange, Pezão (PMDB) poderia ajudar o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) a se livrar de ser julgado em mais uma ação penal pelo juiz Sérgio Moro.

Cunha e Solange foram denunciados pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot em 20 de agosto de 2015 por suposto envolvimento no esquema de corrupção na Petrobrás, a acusação foi aceita pelo STF em 3 de março de 2016, mas com a perda de mandato de Cunha em setembro do ano passado, e com a não reeleição de Solange na prefeitura (que lhe dava foro privilegiado), em janeiro de 2017 o Tribunal Regional Federal da 2ª Região determinou que o caso fosse remetido para o juiz Sérgio Moro, em Curitiba.

O Tribunal, contudo, aguarda para julgar um recurso da defesa de Solange contra a decisão de enviar o caso para Moro.

Atualmente, o Tribunal aguarda um parecer da Procuradoria Regional da República sobre o recurso de Solange para, então, poder julgar o caso.

Nesta denúncia, o ex-presidente da Câmara é acusado de receber US$ 5 milhões em propinas para que o estaleiro sul-coreano Samsung Heavy Industries fosse contratado pela Petrobrás para fornecer dois navios-sondas para a perfuração em águas profundas na África e no Golfo do México, entre 2007 e 2012.

Na época deputada, Solange é acusada de ter atuado a mando do ex-deputado para pressionar por meio de um requerimento na Câmara uma empresa que não estava pagando a propina solicitada pelo peemedebista.

Atualmente, Cunha é réu em três ações penais, incluindo a que está no TRF2. Uma delas tramita em Curitiba, perante o juiz Moro, por supostamente receber propinas referentes à compra, pela Petrobrás, de um campo de petróleo em Benin, na África. A outra ação tramita na Justiça Federal do DF, na qual o peemedebista é acusado de cobrar propinas para liberar recursos do Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS) para grandes empreendimentos.

O peemedebista nega envolvimento em irregularidades em todos os casos.