Prisão do governador Pezão mostra que PF ‘não vê cargos’, diz delegado

Prisão do governador Pezão mostra que PF ‘não vê cargos’, diz delegado

Ricardo Saadi, superintendente-regional da Polícia Federal no Rio, afirma que corporação 'não se baseia em momento político para deflagrar operações'

Constança Rezende e Vinícius Neder/RIO

29 Novembro 2018 | 11h02

Pezão. Foto: MARCOS DE PAULA/ESTADÃO

O superintendente da Polícia Federal no Rio, delegado Ricardo Saadi, afirmou que a prisão preventiva do governador Luiz Fernando Pezão (MDB), na manhã desta quinta, 29, mostra que as investigações da corporação ‘não vê cargos’. Saadi negou que a deflagração da Operação Boca de Lobo, braço da Lava Jato, agora, a pouco mais de um mês do fim do mandato de Pezão, não tem relação com o momento político.

“A PF não se baseia em momento político. Ela (operação) é sempre deflagrada quando está madura”, afirmou Saadi.

Segundo o superintendente, a questão do fim do mandato, o que levará Pezão a perder a prerrogativa de foro, não influenciou na decisão de deflagrar a operação. Por causa do foro, a prisão preventiva do emedebista foi decretada pelo ministro Felix Fischer, relator da Lava Jato no Superior Tribunal de Justiça.

“A pessoa estando com foro ou não ela responde à Justiça”, afirmou Saadi, ressaltando que a PF pediria a prisão a outra instância do Judiciário, caso a operação fosse deflagrada após o término do mandato.

Os delegados da PF justificaram a necessidade de Pezão ficar preso por causa da repetição da prática de crimes e por que os valores supostamente desviados pelo governador não foram localizados.

Alexandre Bessa, delegado federal responsável pela Operação Boca de Lobo, afirmou que há elementos que o esquema durou até julho deste ano. ” partir do momento que Sérgio Cabral deixou o governo do Estado, Pezão passou a sucedê-lo e liderar a organização criminosa. A gente conseguiu comprovar isso” afirmou o delegado.

Segundo Bessa, Pezão também designou seus próprios operadores para integrar o esquema.

O delegado afirmou também que os investigadores ainda não sabem o destino que foi dado a pelo menos R$ 2,2 milhões que teriam sido captados diretamente por Pezão, como parte dos cerca de R$ 40 milhões que teriam sido desviados.

“Ainda vamos analisar isso. A movimentação bancária das contas pessoais do governador é modesta e há poucos saques de sua conta corrente. Isso chamou a atenção. Ele deve ter dinheiro espécie guardado ou utilizar contas de terceiros”, disse Bessa.

O superintendente Saadi frisou que as investigações continuam, a partir do material apreendido nos 31 mandados de busca e apreensão autorizados nesta quinta-feira.

Ainda conforme Saadi, ‘a princípio e após prestar depoimento’, Pezão ficará custodiado numa unidade prisional da Polícia Militar, em Niterói, região metropolitana do Rio.

COM A PALAVRA, O GOVERNO DO RIO

O Governo do Estado do Rio de Janeiro informa que, de acordo com o artigo 140 da Constituição estadual, a chefia do Poder Executivo passa a ser exercida, a partir desta quinta-feira (29/11), pelo vice-governador Francisco Dornelles.

O governador em exercício afirma que o Governo do Estado do Rio de Janeiro manterá todas as ações previstas no Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e dará prosseguimento aos trabalhos de transição de governo, reiterando o seu maior interesse na manutenção do bom relacionamento com os demais Poderes do Estado.