Petrobrás fechou R$ 9,7 bilhões em contratos com Queiroz Galvão

Petrobrás fechou R$ 9,7 bilhões em contratos com Queiroz Galvão

Primeira empreiteira do cartel a ter dinheiro bloqueado pela Lava Jato assinou 31 contratos diretamente ou em consórcios com estatal entre 2005 e 2014

Redação

08 Abril 2015 | 17h01

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

A Petrobrás fechou R$ 9,7 bilhões em contratos diretos e indiretos com a Queiroz Galvão, empreiteira que teve R$ 163 milhões bloqueados judicialmente pela Operação Lava Jato nesta segunda feira, 6. Os contratos que estão na mira da força tarefa da Operação Lava Jato foram firmados entre 2005 e 2014.

Foram assinados 24 contratos por duas empresas do grupo e outros sete por meio de consórcios formados por ela. Investigada como parte do cartel das 16 maiores empreiteiras do País que, em conluio com políticos e agentes públicos, fraudava contratos da Petrobrás e desviava recursos, a Queiroz Galvão foi o primeiro grupo a ter valores bloqueados por determinação do juiz federal Sérgio Moro – baseado em Curitiba (PR), Moro conduz todas as ações penais da Lava Jato.

Edifício da Petrobrás, no Rio. Foto: André Dusek/Estadão

Edifício da Petrobrás, no Rio. Foto: André Dusek/Estadão

O Ministério Público Federal sustenta que a empreiteira tem R$ 372 milhões a ressarcir aos cofres públicos. O montante é referente “ao percentual de propina pago aos diretores da Petrobrás, de 3%, sobre o valor dos contratos da empresa”.

O valor de R$ 163 milhões sequestrados integra um precatório do qual a Queiroz Galvão é credora junto ao Estado de Alagoas. Apesar de ainda não ter executivos denunciados pela Lava Jato, em dezembro, quando apresentou o primeiro pacote de ações penais contra executivos de seis das 16 empreiteiras, o Ministério Público Federal anexou relatório da Polícia Federal com levantamento de quanto a Queiroz Galvão recebeu da estatal petrolífera e referente a quais contratos.

Das 24 contratações diretas, sete foram feitas por inexigibilidade de licitação e duas dispensas de licitação.  “Dessa forma, a soma dos contratos individuais com a dos efetuados por meio de consórcio totalizam R$ 8,9 bilhões e US$ 233,7 milhões.

O Ministério Público Federal também considerou análise pericial que apontou a emissão de notas fiscais por duas empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef (MO Consultoria e Empreiteira Rigidez) em nome de um consórcio formado pela Queiroz Galvão e pela empresa Iesa.

Os valores das notas referentes aos supostos pagamentos do consórcio não aparecem na quebra de sigilo bancário das duas empresas de Youssef. “Na busca e apreensão, foi localizada nota fiscal de R$ 386 mil emitida pela MO Consultoria contra o Consórcio Ipojuca Interligações, integrado pela Iesa e pela Queiroz Galvão. Não foi, porém, identificado o registro do depósito pertinente nos extratos bancários da MO Consultoria”, registra o MPF no pedido de bloqueio.

O trecho, transcrito pelo juiz Sérgio Moro, ao acatar o bloqueio dos valores a serem recebidos de um precatório do governo de Alagoas, por obra em que ela havia recebido calote, cita ainda notas fiscais de R$ 386 mil e R$ 250 mil emitidas pela Empreiteira Rigidez Ltda. contra o Consórcio Ipojuca Interligações, sem registro do pagamento.

COM A PALAVRA, A QUEIROZ GALVÃO.

Sobre o bloqueio de R$ 163 milhões relativo ao precatório do qual é credor, a empreiteira, por meio de sua assessoria de imprensa, ressaltou. “Os precatórios junto ao governo de Alagoas existem, de fato”. A Queiroz Galvão sustenta que os créditos “são absolutamente legítimos, reconhecidos pelos Tribunais Superiores”.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DA QUEIROZ GALVÃO:

“A Queiroz Galvão informa que não foi comunicada oficialmente sobre o bloqueio de precatórios. De fato, os precatórios junto ao Governo do Estado de Alagoas existem. São créditos absolutamente legítimos, reconhecidos pelos Tribunais Superiores. A Queiroz Galvão reitera que sempre pautou suas atividades pela ética e pelo estrito cumprimento da legislação.”