‘Pescadores de águas turvas não prosperarão’, diz candidato à lista tríplice para a PGR

‘Pescadores de águas turvas não prosperarão’, diz candidato à lista tríplice para a PGR

Mário Bonsaglia, que não citou nomes, disse que Ministério Público Federal vive momento 'muito crítico, situação inédita de total falta de diálogo, centralização, falta de transparência'

Julia Affonso e Mateus Fagundes

04 de junho de 2019 | 21h09

Debate entre candidatos à lista tríplice a procurador-geral da República. Foto: Julia Affonso/Estadão

O subprocurador geral da República Mario Bonsaglia, candidato à lista tríplice ao cargo de Procurador-Geral da República, afirmou nesta terça-feira, 4, ter certeza de que a eleição vai ser acatada. O candidato disse que ‘pescadores de águas turvas não prosperarão’, mas não citou nomes.

“O Ministério Público Federal vive hoje um momento muito crítico”, avalia Bonsaglia. “Nós vivemos internamente uma situação inédita de total falta de diálogo, centralização, falta de transparência, nós estamos em um momento crítico escolhendo, tentando contribuir para a escolha do Procurador-Geral da República, fortalecendo nosso processo de escolha via lista tríplice. Eu tenho plena convicção de que o próximo Procurador-Geral da República será um dos que aqui estão lado a lado debatendo. Eu tenho certeza de que a lista tríplice será acatada.”

A atual procuradora-geral Raquel Dodge não se inscreveu para concorrer na eleição promovida pela Associação dos Procuradores, o que não quer dizer que não pretende a recondução, pela ‘via direta’ do Palácio do Planalto. Internamente, procuradores têm  comentado que a procuradora-geral se movimenta para um segundo mandato sem concorrer pela lista tríplice.

Cabe ao presidente da República escolher o chefe do Ministério Público Federal, conforme prevê a Constituição. Ele não é obrigado a indicar nenhum nome da lista da Associação.

A tradição de formação da lista tríplice iniciou-se em 2001. Daquele ano até agora, o vencedor da lista tríplice para o cargo de Procurador-Geral da República não foi acolhido apenas em sua primeira edição e, mais recentemente, em 2017, quando o então presidente Michel Temer escolheu Raquel Dodge.

Todos os candidatos que registraram seus nomes para concorrer à lista tríplice confirmaram presença no debate promovido pela Associação Nacional dos Procuradores da República, que organiza também a eleição.

São eles: o ex-presidente da ANPR José Robalinho Cavalcanti, os procuradores regionais Lauro Cardoso – paraquedista do Exército e secretário-geral do Ministério Público da União -, Vladimir Aras e Blal Dalloul -secretário-geral na gestão Rodrigo Janot, o ex-vice da gestão Janot, José Bonifácio da Andrada, os subprocuradores-gerais Luiza Cristina Frischeisen, Mário Luiz Bonsaglia, Paulo Eduardo Bueno, Antonio Carlos Fonseca Silva e Nívio de Freitas.

Na avaliação da subprocuradora-geral Luiza Cristina Frischeisen, ‘a classe ficaria um pouco decepcionada’ se o chefe máximo da instituição não fosse escolhido via lista tríplice. “Esse é o instrumento pelo qual a classe se manifesta e conversa com o presidente da República desde 2002”, afirmou.

“O Ministério Público Federal realmente entende que este é um patrimônio institucional que a gente conseguiu construir.”

Luiza Cristina Frischeisen lembrou que Raquel ‘já concorreu à lista’. “Se ela pretende ser reconduzida, ela deveria ter concorrido. Não é porque ela conconcorreu uma vez que ela não deveria concorrer. Outros procuradores-gerais que ficaram dois mandatos concorreram duas vezes.”

O procurador regional Lauro Cardoso apontou que ‘a Constituição determina que poderá ser procurador-geral da República qualquer integrante da carreira com mais de 35 anos e que tenha sido aprovado pelo Senado Federal’.

“Não há qualquer limitação ao nível de carreira”, declarou. “Entendo que Raquel Dodge deveria, caso pretendesse permanecer no cargo, participar desse processo eleitoral junto a carreira.”

Vladimir Aras pontuou que a lista não é um processo sindical. Segundo o procurador, ‘há uma tentativa interna de implosão da lista do que externa’.

“Há uma vontade de algumas pessoas internamente na instituição de implodir a lista que eu não percebo do campo externo, do Legislativo, do Governo”, declarou.

“Não quero fulanizar a questão, é um debate que não interessa. Interessa é a sociedade perceber que essa discussão pública, com a exposição dos candidatos, e das propostas é o que de fato interessa ao povo.”

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