Persuasão e inteligência emocional: as novas armas da política

Persuasão e inteligência emocional: as novas armas da política

Osmar Bria*

28 de abril de 2021 | 06h30

Osmar Bria. FOTO: DIVULGAÇÃO

A liderança inspiradora é justamente aquela capaz de criar ondas de relacionamento através do pertencimento. Os participantes do projeto eleitoral precisam entender, ocupar e propagar as ideias para aumentar o alcance dessas ondas. Para inspirar pessoas é preciso desenvolver novas habilidades comportamentais.

Para persuadir ou influenciar, o líder precisa prioritariamente estar seguro de si, entender suas forças, fraquezas, criar oportunidades e dissolver ameaças. O autoconhecimento é a chave para um início bem estruturado.

Para inspirar pessoas, antes de mais nada, é preciso potencializar virtudes e amenizar defeitos. Além disso, reconhecer nos outros as qualidades e dar ênfase a estas.

Quando um líder inclui habilidades de oratória e compreende mais especificamente o significado de persuasão, ele terá a capacidade de alinhar o seu propósito com os seus seguidores.

O líder inspirador muda a sua perspectiva para se posicionar ao lado de seu público, transformando de vez a sua própria vida e também a vida das pessoas ao seu redor, guiadas pela possibilidade de também inspirar outras pessoas.

É difícil encontrar materiais didáticos sobre marketing político ou eleitoral em língua portuguesa. O livro “A Fórmula do Voto” foi escrito com objetivo de preencher essa lacuna. Além de dar ênfase para as campanhas proporcionais, já que os candidatos não têm uma visão científica sobre todas as nuances que norteiam uma campanha eleitoral.

Através do sucesso do livro e da sua metodologia de treinamento, ficou ainda mais claro que o ajuste comportamental, o primeiro pilar da Fórmula do Voto, é um fator diferencial para o resultado nas urnas.

Normalmente, quando se fala em oratória as pessoas imaginam uma plateia e uma pessoa falando para todos. Porém há muito mais aspectos nesta prática, e o principal deles é a emoção. Esse é o grande ingrediente a ser acrescentado à mecânica.

É a emoção que convence. Portanto, o grande diferencial é a capacidade de ajustar a inteligência emocional com as capacidades de comunicação. Assim, será possível emocionar pessoas e proporcionar momentos memoráveis e mensagens claras durante as interações sociais. Seja para duas, vinte, duzentas ou mais pessoas.

Vejam que a inclusão de emoções genuínas na oratória praticamente a transforma em persuasão. No caso da política, incluir a inteligência emocional nas interações faz justamente com que se use as emoções ao dispor do resultado desejado.

Oratória e persuasão política são a capacidade de convencer através da mudança de perspectiva. Isso envolve ouvir mais, se posicionar ao lado, viver as experiências através de outras esperanças, aprender a ser convencido sem preconceitos, buscar se emocionar com a emoção dos outros e buscar novas oportunidades. Entender quem é o público e o que ele espera do líder a nível comportamental vai colocar o líder político num nível muito acima do normal.

*Osmar Bria é autor dos livros A Fórmula do Voto e Mulher, Emoção e Voto. Realiza treinamentos com partidos e candidatos de todo o País

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.