Perspectivas econômicas do Brasil para 2020

Agostinho Celso Pascalicchio*

27 de novembro de 2019 | 09h00

Esta é a época do ano em que todas as pessoas desejam conhecer algumas informações sobre a economia brasileira e internacional. Estas perspectivas são realizadas através da projeção e comentários obtidos sobre um grupo de indicadores econômicos como o Produto Interno Bruto (PIB) e seus componentes, perspectivas do emprego ou desemprego, o crescimento da renda, o desempenho da inflação, perspectivas relacionadas ao câmbio, ao fluxo resultado do relacionamento internacional- financeiro e comercial-, e das expectativas criadas por empresários de significativas empresas do país. Para o ano que vem, espera-se que depois de desistir da criação de uma CPMF, a reforma tributária, conforme o jornal O Estado de S.Paulo de 18 de novembro de 2019, venha a ser estabelecida em quatro etapas, para finalmente criar as condições para um maior crescimento da economia nacional.

Assim, para 2020, as projeções realizadas por analistas especializados na área de estimativas da economia brasileira, indicam para o PIB venha a crescer o dobro do que o de 2019, uma taxa em torno de 2%. Para 2020 são mantidas as projeções favoráveis ao desempenho do setor agropecuário. No segmento industrial o desempenho favorável é dado aos bens de consumo não-duráveis e ao setor de consumo de bens duráveis como os eletrodomésticos.
O desemprego deve apresentar uma ligeira redução, graças ao melhor desempenho do PIB, porém, sem nenhuma redução significativa, pois o crescimento do país não será, também, muito significativo.

A renda da população não deverá apresentar incremento expressivo. Grande parte dos dispêndios estarão voltados para os setores de bens de consumo. Este comportamento deverá estimular o setor de vendas a varejo da sociedade. É possível que o segundo semestre do ano, graças a circulação de fontes de recursos, como o do FGTS, seja melhor do que o primeiro.

A inflação, em consequência do ligeiro aumento da atividade econômica, deixará de apresentar a tendência de queda. Espera-se, em consequência deste comportamento da inflação, o Banco Central do Brasil reflita uma postura mais favorável a taxas de juros mais baixas e uma menor preocupação com a alta dos preços, favorecendo de forma pró ativa o crescimento econômico. O menor juro básico da economia colabora com a redução da dívida interna do país. Espera-se que, simultaneamente a estas expectativas, as instituições de fomento do país venham a assumir um papel relevante no financiamento de obras essenciais para a melhoria da infraestrutura do país. Algumas privatizações poderão ocorrer para suprir com alguns recursos o governo federal e os estaduais.

Cenário internacional

Do lado internacional, os efeitos positivos do crescimento da economia europeia, chinesa e dos Estados Unidos podem vir a causar muitas oscilações sobre a economia mundial. A guerra comercial China e Estados Unidos continuará. Ainda deve ser somado o efeito Brexit. Os países da América Latina, com instabilidades latentes, também podem agir colaborando na redução dos investimentos externos destes países. Esta redução poderá atingir também o Brasil. Assim, o cenário externo- no seu conjunto- cria grandes volatilidades e possivelmente maiores do que as observadas em 2019. Estes efeitos somados aos ajustes da economia doméstica trarão reflexos sobre a taxa de câmbio e bolsa de valores. É grande a probabilidade de que a renda variável continue atraindo apenas os investidores domésticos para o setor.

O ano de 2020 será um ano de ajustes, de mudanças e com muitos fatos latentes sobre a economia nacional e internacional. São ajustes e alterações que ainda causarão oscilações e impactos sobre a formação das expectativas e no comportamento da atividade produtiva, nos fluxos comerciais e financeiros do país e do mundo.

*Agostinho Celso Pascalicchio, doutor em Ciências; mestre em Teoria Econômica pela University of Illinois at Urbana-Champaingn/USA. Bacharel em Ciências Econômicas e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie nas áreas de economia, economia da energia e engenharia econômica/finanças

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