Permanência de Cerveró na Petrobrás era sustentada por Delcídio, afirma delator

Permanência de Cerveró na Petrobrás era sustentada por Delcídio, afirma delator

Fernando Baiano relatou à PGR que ex-diretor Internacional da estatal foi nomeado em 2003 por indicação do senador do PT, preso na quarta-feira, 25, por tentar barrar a Lava Jato

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

30 Novembro 2015 | 12h26

Delcídio do Amaral (à esq.) foi citado nas delações por Nestor Cerveró (centro) e Fernando Baiano (à dir.). Foto: Reuters, Estadão e AGK

Delcídio Amaral (à esq.) foi citado nas delações por Nestor Cerveró (centro) e Fernando Baiano (à dir.). Foto: Reuters, Estadão e AGK

O lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, afirmou em sua delação premiada que a manutenção do engenheiro Nestor Cerveró na Diretoria Internacional da Petrobrás era sustentada pelo senador Delcídio Amaral (PT/MS) – preso na quarta-feira, 25, sob suspeita de tentar barrar as investigações da Operação Lava Jato. Baiano, supostamente ligado ao PMDB, é acusado de ser um dos operadores de propina no esquema de corrupção instalado na estatal petrolífera entre 2004 e 2014.

Em depoimento à Procuradoria-Geral da República – termo de colaboração 7 -, em 9 de setembro deste ano, o lobista citou o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula) como parte das negociações para a indicação de Cerveró ao cargo. Segundo Fernando Baiano, ele e o ex-diretor tinham uma ‘relação de amizade’.

“De acordo com informação repassada ao depoente pelo próprio Nestor Cerveró, ele foi nomeado para a Diretoria Internacional da Petrobrás, em 2003, por indicação de Delcídio Amaral. Pelo que depoente sabe, a indicação e nomeação de Nestor Cerveró foram tratadas com o então ministro da Casa Civil José Dirceu. Na época se dizia que todas as nomeações de diretores da Petrobrás passavam pela Casa Civil da Presidência da República”, afirmou.

baiano-delcidio-cervero

O delator declarou que Nestor Cerveró ligou para ele e contou sobre a indicação para a diretoria Internacional. “Pelo que o depoente sabia, a permanência de Nestor Cerveró no cargo era sustentada por Delcídio do Amaral”, disse.

Fernando Baiano disse ao Ministério Público Federal que ‘não tomou conhecimento de um repasse periódico’ de valores da Diretoria Internacional da Petrobrás para o senador. Segundo o lobista, a Diretoria Internacional não tinha obras ou contratos constantes, realizava apenas negócios pontuais.

[veja_tambem]

“O depoente acredita que apenas negócios pontuais levados por Delcídio Amaral para a Diretoria Internacional possivelmente geravam para ele alguma vantagem financeira indevida”, afirmou, sem especificar quais seriam os negócios e os valores.

Nestor Cerveró e Fernando Baiano já foram condenados em processos na Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro. Em uma das ações, o juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato na primeira instância, impôs 12 anos e 3 meses de prisão para ex-diretor da Petrobrás. O lobista pegou 16 anos. Em sua primeira condenação, Nestor Cerveró foi condenado a 5 anos de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro na compra de um apartamento de luxo em Ipanema, no Rio.

O lobista deixou a cadeia, no Paraná, em 18 de novembro. Fernando Baiano ficou preso por 1 ano.

O ex-diretor Nestor Cerveró está preso desde janeiro deste ano.