Peritos da PF vão fazer três exames nos áudios que pegaram Temer, Aécio e Loures

Peritos da PF vão fazer três exames nos áudios que pegaram Temer, Aécio e Loures

Laudo será produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística abrangendo análise de conteúdo, comparação de locutor e verificação de edições

Fábio Serapião, de Brasília

22 de maio de 2017 | 19h59

Michel Temer. Foto: Dida Sampaio/Estadão

A Polícia Federal informou nesta segunda-feira, 22, que recebeu ‘extensa relação de quesitos, entre perguntas e questionamentos, com elevado grau de complexidade’ sobre os áudios da Operação Patmos, que mira o presidente Michel Temer, o senador Aécio Neves (PSDB/MG) e o deputado Rocha Loures (PMDB/PR).

As gravações foram realizadas pelo executivo Joesley Batista, acionista da JBS. Na noite de 7 de março, no Paçácio do Jaburu, ele gravou conversa com o presidente. Também caíram nas gravações Aécio e Loures. Os três são alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal por suspeita de corrupção passiva, obstrução de investigação e participação em organização criminosa.

Segundo a PF, a perícia nos áudios demanda ‘minucioso tratamento dos chamados vestígios, além de análises metódicas e meticulosas’.

“Para uma conclusão robusta da perícia criminal, o maior número possível de elementos é analisado”, assinala a PF.

A perícia nos áudios que mergulham o governo Temer em sua maior crise vai compreender três tipos de exames – análise de conteúdo, comparação de locutor e verificação de edições.

O exame de análise de conteúdo representa a transcrição das conversas, analisado o áudio segundo a segundo.

A comparação de locutor busca identificar os interlocutores da conversa, ‘confirmando ou não se tratarem das pessoas questionadas’.

E o exame de verificação de edições tem como objetivo ‘identificar eventuais elementos indicativos de alterações ou adulterações nos registros de áudio’.

“É analisado se, de alguma forma, o conteúdo original captado foi modificado, de modo que a apresentação dos eventos tenha ocorrido de maneira distinta daquela em que efetivamente ocorreram”, assinala a PF.

“No caso de perícia de áudio em formato digital, o exame de verificação de edições é realizado no arquivo computacional que contém a representação do análogo físico do áudio captado”, destaca a PF.

A PF reiterou que até aqui recebeu apenas um dos gravadores que Joesley e outros delatores da JBS usaram. “A boa prática em análise forense de vestígios multimídia recomenda que haja o exame conjunto entre os registros de áudio e o equipamento gravador. Até o momento, a PF recebeu apenas um desses gravadores e aguarda o outro.”

As análises serão feitas pelos peritos do Instituto Nacional de Criminalística, órgão central de perícia criminais da PF.

Segundo a PF, o Instituto é ‘reconhecido internacionalmente pelos parâmetros de qualidade do trabalho desenvolvido no local’

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