Perguntas ao candidato

Perguntas ao candidato

Luiz Henrique Lima*

04 de outubro de 2020 | 06h00

Luiz Henrique Lima. FOTO: DIVULGAÇÃO

Não sei você, mas eu tenho sido bombardeado com mensagens eletrônicas pedindo apoio a esse ou aquele candidato. Os vereadores são mais ativos que os prefeitos nessa campanha, mas alguns parecem ignorar que o voto deve obedecer aos limites territoriais do município. Recebo pedidos de vários estados brasileiros e todos se mostram muito confiantes de que poderão bem representar a “nossa” cidade, mesmo a dele não sendo a minha …

Em regra, as mensagens procuram esconder o partido do candidato e as suas preferências políticas. Quase todo o espaço é ocupado por uma foto sorridente, bastante retocada; o nome, que muitas vezes é um apelido profissional; e o número para ser teclado na urna eletrônica. Alguns ainda trazem um slogan do gênero “Acredito em Deus” ou “Mudança já”.

Não esclarecem para que rumo vai o caminhão dessa mudança ou se o Deus em que acreditam é o mesmo Pai amoroso do Papa Francisco, de Luther King e de Chico Xavier ou o Jeová implacável e intolerante de certos conhecidos líderes político-religiosos, alguns respondendo por crimes como corrupção e homicídio.

Em meio à confusão e para facilitar a minha escolha, preparei um pequeno conjunto de perguntas para cada candidato responder. Talvez seja um antigo hábito de professor ou de quem já prestou muitos concursos públicos. São perguntas simples e objetivas, que podem ser respondidas com poucas palavras, mas que definem se o perfil das ideias de quem pleiteia o meu voto se assemelha ou se distancia do meu pensamento. Algumas questões são eliminatórias, outras classificatórias.

Decidi compartilhá-las, pois talvez sejam úteis a outrem no difícil processo de selecionar entre tantas centenas de postulantes. Vamos a elas?

1) Ditaduras de direita são melhores que ditaduras de esquerda, ou vice-versa?

2) A Covid-19 é só uma gripezinha?

3) Foi uma opção inteligente investir tantos bilhões em estádios de futebol de primeiro mundo tendo um dos piores resultados do planeta em qualidade do ensino?

4) Corrupção é inevitável? É incontrolável? Até certo ponto, é tolerável?

5) Os incêndios na Amazônia e no Pantanal são de responsabilidade dos índios?

6) O aumento do salário-mínimo gera aumento da inflação?

7) As universidades públicas devem ser privatizadas?

8) Servidor público é parasita?

9) Caixa-2 para o partido se justifica se for pelo bem do povo?

10) Não existem mudanças climáticas nem aquecimento global?

11) Não houve ditadura militar no Brasil entre 1964 e 1985, muito menos tortura, assassinatos, corrupção e censura?

12) Direitos humanos só existem para proteger bandidos?

13) Melhor investir em asfalto que em saneamento básico?

14) O movimento feminista não conquistou nada de prático para melhorar as condições de vida das mulheres?

15) Rachadinha no gabinete parlamentar é uma prática tradicional e aceitável?

16) O condenado só deve ser preso após o trânsito em julgado e não após a segunda instância?

17) É justo que no Brasil os indivíduos entre os 5% mais ricos paguem proporcionalmente menos impostos que a classe média e os mais pobres?

18) Homossexualismo é doença e/ou resultado de famílias desajustadas?

19) Responsabilidade fiscal é luxo de tecnocratas e deve ser flexibilizada sempre que possível?

20) A Magazine Luiza foi racista ao abrir um processo seletivo só para negros?

21) Circular sem máscara de proteção facial, mesmo contaminado, é um direito do indivíduo? E fumar em ambientes públicos?

22) A Terra é plana?

Bom, esta lista poderia continuar por mais um tempo, mas pelas respostas ou reação do candidato já se pode formar uma opinião inicial sobre os valores que ele busca representar.

Acredito que é um direito do cidadão que recebe a solicitação de entrega do principal instrumento que a democracia lhe proporciona – o seu voto universal, igualitário e secreto – indagar do suplicante o uso que dele pretende fazer.

E você? Que perguntas fará aos candidatos que lhe procurarem e que respostas deseja ouvir?

*Luiz Henrique Lima é conselheiro substituto do TCE-MT

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