Perda do sono é cada dia mais frequente

Perda do sono é cada dia mais frequente

André Lima*

02 de novembro de 2021 | 05h00

Andre Gustavo Lima. FOTO: DIVULGAÇÃO

A insônia é um distúrbio de sono mais comum, atinge 40% da população brasileira, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ela não é uma doença. Ela é um sintoma de doenças como a depressão, a ansiedade, apneia do sono, entre outros. Ela tem se agravado com a pandemia por causa de mudanças nas rotinas devido a algumas medidas de isolamento social, como o home office. A maioria das pessoas está mais em casa, dormindo tarde e acordando mais tarde e com seu dia a dia afetado.

Existem dois tipos de insônia.  Aquela que é esporádica, quando a pessoa tem crises de insônia em alguns momentos, ou ela acontece de tempos em tempos. A falta de sono dura alguns dias, dependendo do momento de vida que a pessoa está atravessando, é mais comum quando a pessoa está passando por algum momento de estresse. Existe  também a crônica, onde o indivíduo realmente não consegue dormir por mais de três semanas.

Uma noite mal dormida reflete no raciocínio e na dificuldade de se lembrar de coisas simples. Muitos acreditam que o idoso dorme menos. Em média o idoso deve dormir entre sete ou oito horas por dia. Mas o idoso que dorme entre cinco/seis horas e tem a fase do sono profundo, também fica bem. Mas se o sono for agitado, levantar muitas vezes para ir ao banheiro, por exemplo, o sono não será reparador.

Mulheres costumam ter mais problemas com o sono no período da gravidez, pelo desconforto no final da gestação, e no período da menopausa, por conta de problemas hormonais. É importante para todas as fases da vida que se tenha um sono reparador. Dormir em torno de 8h por dia. Dormir bem também ajuda a fixarmos o aprendizado em todas as faixas etárias.

Quem acorda constantemente durante a noite, normalmente está apresentando algum problema relacionado a apneia do sono, que  ocorre quando a respiração é obstruída. A pessoa pára de respirar durante alguns segundos por diversas vezes à noite. A apneia aumenta risco de doenças cardíacas, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).

Se todos os exames médicos foram feitos e não foi detectado problemas de saúde. As pessoas devem ficar atentas às suas rotinas.  Evitar  comidas pesadas próximo a hora de deitar,  a ingestão de muito café ou refrigerante, bebidas alcoólicas e evitar o fumo. Devemos ter uma regularidade no horário para dormir e acordar.Antes de dormir, evitar assistir à TV, principalmente programas violentos ou que geram ansiedade. Mexer no celular ou no computador antes de deitar piora a sua qualidade de sono. Esses aparelhos emitem luz amarela que diminui a quantidade de melatonina, hormônio responsável por regular a hora de dormir.

É importante procurar um neurologista assim que o problema comece a afetar o dia a dia da pessoa. Muitos profissionais possuem especialização na área do sono.  Feito uma avaliação e descobrindo a causa do problema, a pessoa pode iniciar um tratamento multidisciplinar para combater a insônia, dependendo da origem. O tratamento vai depender da causa do problema. Existe medicação específica, mas existe também uma mudança de hábitos e rotina que também podem trazer resultados. A pessoa que sofre de insônia deve descobrir o que está causando este sintoma.

O sono é importantíssimo para o bom funcionamento do organismo. Um fator muito importante para a saúde do cérebro é a qualidade do sono. Ter um sono completo com todas as fases ajuda a memória. A fase REM aumenta a atividade cerebral, o que é essencial para a codificação de informações úteis. O sono é um recuperador de energias. Ele ajuda a levar mais energia para os neurônios, promovendo as sinapses. Quando acontece a diminuição das sinapses (que é a ligação entre os neurônios), acontece a perda de memória, que é uma limitação na comunicação entre os neurônios. A falta de sinapse faz com que eles fiquem sem energia e comecem a morrer.

*André Lima, neurologista, diretor da Neurovida e membro da Academia Brasileira de Neurologia

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.