Pequenas e médias: a transformação digital também é para vocês

Pequenas e médias: a transformação digital também é para vocês

Rafael Sampaio*

08 de setembro de 2019 | 07h00

Rafael Sampaio. FOTO: DIVULGAÇÃO

As pequenas e médias empresas (PMEs) são a principal força motriz da economia brasileira. Elas representam 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do país – um montante de R$4,4 trilhões – e são fonte de renda e emprego. Segundo relatório recente da consultoria PwC, dos mais de seis milhões de empresas de todos os tamanhos que operam no Brasil, quase 500 mil são pequenas e médias. Não podemos deixar de dizer que esse segmento emprega milhares de pessoas, mais de 10,1 milhões somente nas pequenas e 5,5 milhões nas médias.

Se considerarmos todo esse cenário, existe uma grande oportunidade de explorar esse segmento de forma ativa por meio da transformação digital. Porém, a dúvida que fica é: como as pequenas e médias podem aproveitar isso a seu favor e usar todo o seu potencial? Para isso é preciso compreender três forças que impulsionam esta transformação: a transformação social, a força do capital de risco e as tecnologias transformadoras.

Entenda seu cliente

São novos tempos. Os consumidores querem agilidade, atendimento imediato, a qualquer hora e se movem por razões distintas das que no passado fundamentaram muitas decisões de produto e publicidade. Hoje, um indivíduo pode decidir abrir sua conta bancária em um banco digital, supermoderno, ágil e com excelente atendimento, ao invés de em um banco tradicional, que poderia lhe dar todas as garantias do mundo.

É a tal experiência proporcionada ao consumidor. Este é um dos pequenos exemplos que rodam o dia a dia de oportunidades das PMEs e que ao perceberem estes movimentos de transformação digital, poderão embarcar em uma nova avenida de crescimento.

Uma ideia na cabeça e múltiplas fontes de investimento e apoio ao crescimento. Hoje o ecossistema de startups é bastante maduro, oferecendo apoio ao crescimento destas PMEs dedicadas à inovação. São aceleradoras, incubadoras, investidores anjos, clubes de investimento, mentores e muito outros mecanismos que compreendem o momento e os desafios de crescimento que estas empresas irão enfrentar. E já sabem precificar este risco, bem como apoiar as PMEs nesta caminhada.

Temos de considerar que no passado era difícil as pequenas e médias empresas terem acesso a tecnologias com capacidade de mudar sua forma de atuação. Entretanto, este não é mais o cenário. Hoje, a pouco custo (se não de graça) as empresas tem acesso a tecnologias com capacidade melhorar sua eficiência, torna-las mais atraentes e até mesmo disruptivas. Compare o custo de montar um pequeno hotel (por exemplo) ao custo de lançar um app como o 99Taxi, Loggi ou Rappi. É a tecnologia a favor do pequeno empresário.

O fato está aí e as pesquisas mostram que as empresas que investiram em transformação digital conseguiram aumentar seu lucro em até 29%. Não dá para ignorar. Agora o que estas empresas têm em comum? A capacidade de inovar dentro das deformações do mercado, ou seja, o que é necessário e ainda ninguém viu ou desenvolveu uma solução para isso.

Analise como sua empresa produz e entrega valor ao consumidor

Porém, como é possível investigar isso e estar à frente nos negócios? Um dos pontos que eu julgo fundamentais é analisar a forma como a sua empresa produz e entrega valor a seus consumidores, á luz das tecnologias transformadoras disponíveis. O que quero dizer com isso. Imagine que você tenha investido uma pequena fortuna para montar um hotel de 40-50 habitações, decorado lindamente, contratado profissionais e ofertado as diárias deste hotel em todos os meios possíveis até atingir seu consumidor ideal. Essa é sua cadeia de valor. Brian Chesky e Joe Gebbia pensaram de modo diferente.

E usando a tecnologia web, passaram a disponibilizar sua casa e de muitos outros anfitriões do mundo por meio do Airbnb. Trata-se de uma forma totalmente diferente de produzir o mesmo valor ao consumidor, porém com o uso de tecnologias transformadoras, o Airbnb desafiou o status quo e criou um modelo de negócios inovador.

Considere a jornada de compra

Outra forma de buscar oportunidades de transformação é a análise da jornada do seu consumidor, entendendo o que ele faz desde que lhe desperta um interesse de compra até o pós-venda. Estou falando do passo a passo mesmo, considerando seu estado emocional em cada passo. A jornada deste consumidor poderia ser facilitada ou até totalmente alterada com o uso de tecnologias transformadoras? Ficaria a sua empresa em uma posição mais forte ao adotar estas tecnologias? Se dessa análise, surgirem insights sua empresa estará a um passo de construir uma vantagem digital, que com a execução correta tem potencial de criar o mesmo crescimento exponencial que observamos nas startups mais famosas do mundo.

Empresas pequenas e médias tem notadamente mais agilidade. Elas são capazes de mover-se mais rapidamente, e hoje com o grande acesso a tecnologia, podem causar um grande impacto na sociedade e no seu negócio. Se souberem analisar bem seu ambiente, experimentarem tecnologias transformadoras, cuidarem da experiência dos seus consumidores e desafiarem o modelo de negócio típico do seu setor, esta empresa terá um bom plano e provavelmente um bom futuro.

*Rafael Sampaio, autor do livro Vantagem Digital e CEO da ETEK Novared

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