Pense como um unicórnio

Pense como um unicórnio

Cassio Grinberg*

05 de abril de 2019 | 08h00

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

Por que quem reinventa uma indústria é geralmente alguém de fora dela?

Temos, em nível empresarial e mesmo doméstico, o cacoete de nos livrar dos problemas. Ignoramos que, quanto mais incômoda a pergunta, mais chance de ela ser fundamental. Mergulhamos em água rasa e emergimos com ‘soluções que vendem’: nossa ortodoxia, nossa miopia, nossa pressa. E com isso abrimos espaço para que seres de outro mundo solucionem problemas que nós mesmos deveríamos estar resolvendo.

E terminem por reinventar nosso negócio.

A Polaroid poderia ter inventado o Instagram. Uma empresa de rádio-táxi poderia ter inventado o Uber. A NASA poderia ter inventado a Space-X. A Sears poderia ter inventado a Amazon. A rede Hilton poderia ter inventado o Airbnb.

Mas nenhuma delas pensou como um unicórnio.

Um unicórnio pensa assim: por que a experiência de ir ao supermercado é a mesma há 90 anos? Preciso fazer algo. Por que a experiência de pegar elevador é a mesma há 150 anos? Preciso fazer algo. Por que continuar a produzir peças de plástico? Pensar como um unicórnio é o que impedirá nos transformarmos em dinossauros: a Lego resolveu que, até 2030, não terá mais peças plásticas. E com isso se conectou com a necessidade de aprender tudo de novo.

Para aprender de novo precisamos desaprender. E desaprender é a fundação do propósito. Desaprender é desapegar das ortodoxias de nosso cérebro, abrir novos espaços e tirar o pó das prateleiras internas. Desaprender é incremental e constante, e deveria ser como cortar as unhas: algo que precisamos fazer frequentemente – principalmente com o passar dos anos, quando a caixa enche até transbordar.

Desprender é enxergar os problemas de perto, para que as soluções não estejam cada vez mais longe. E com isso poder acessá-las antes que alguém as acesse por nós.

Desaprender é a chave da longevidade: 60% das empresas no Brasil não completam o quinto aniversário. Talvez por não estarem fazendo as perguntas incômodas. Aquelas que, no fim das contas, apenas os unicórnios teimam em fazer.

*Cassio Grinberg, sócio da Grinberg Consulting

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