Penas da Lava Jato superam 2,6 mil anos de prisão

Penas da Lava Jato superam 2,6 mil anos de prisão

Levantamento divulgado durante seminário promovido pelo Ministério Público Federal indica que, em quatro anos, investigações conseguiram 226 condenações por crimes de corrupção

Redação

11 de dezembro de 2018 | 05h00

Agentes da Polícia Federal chegando na Superintendência da PF, no bairro da Lapa, com documentos apreendidos durante Operação Lava Jato em novembro de 2014. FOTO: SERGIO CASTRO/ESTADÃO

Em quatro anos, a Operação Lava Jato obteve 226 condenações cujas penas somadas superam 2,6 mil anos de prisão, aponta balanço apresentado durante o seminário “Combate à Corrupção: Avaliação e Perspectivas”da Câmara de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal . As investigações almejam o ressarcimento de quase R$ 12 bilhões aos cofres públicos e, até o momento, R$ 1,9 bilhão já foi recuperado e R$ 1,3 bilhões, repatriado.

Segundo o procurador Roberto Pozzobon, da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, o sucesso da operação deve-se a quatro fatores: cooperação, transparência, uso de técnicas especiais de investigação como a colaboração premiada e de leniência, e atuação dividida em fases planejadas.

Em quatro anos, a Lava Jato já deflagrou 57 fases. No Supremo Tribunal Federal, ha 36 denúncias contra mais de 100 pessoas.

Em todo o período, foram realizados 548 pedidos de cooperação internacional envolvendo 55 países. Do total, 269 são pedidos ativos, nos quais o Brasil solicita informações, e 279 são passivos, quando os países pedem dados à procuradoria brasileira.

Foi a partir de pedidos de cooperação internacional que o Ministério Público obteve o ressarcimento de R$ 575 milhões que estavam em contas abertas em oito países diferentes, afirmou o procurador da República, Eduardo El Hage, da Força Tarefa da Lava Jato no Rio.

“A cooperação permitiu a identificação rápida dessas contas e a recuperação do dinheiro”, explicou. “No Rio de Janeiro, já são nove sentenças, com 40 pessoas condenadas por corrupção e outros crimes, incluindo um ex-governador e algumas das figuras políticas mais importantes do Estado.”

Em São Paulo, a operação registra 30 inquéritos, dez acordos de colaboração premiada e dois acordos de leniência fechados. A frente paulista lida com processos resultantes da delação de executivos da Odebrecht, cujas investigações foram desmembradas para o Estado após determinação do Supremo Tribunal Federal.