Pena de morte para os bons promotores e juízes…

Pena de morte para os bons promotores e juízes…

Adriano Alves-Marreiros, Carmen Carvalho, Eduardo Paes e Harley Wanzeller*

09 de outubro de 2019 | 06h30

Foto: Movimento de combate à impunidade/Divulgação

Este não é bem um artigo, é quase um esquema do que pode acontecer a partir de agora. Um esquema sobre o Esquema…  Acabamos de ler que a OAB quer uma ‘paridade’ na ‘representação da Sociedade’ (como usam esse santo nome em vão…) no Conselho Nacional de Justiça e no Conselho Nacional do Ministério Público para acabar com o suposto ‘corporativismo’ dos conselhos (CNMP e CNJ): leia-se – punir Juízes e Promotores que não forem submissos ao sistema.

(Será que teremos paridade no Conselho da OAB, também?!).

Mas não é só punir: existe uma outra proposta em andamento que quer acabar com a vitaliciedade dos Promotores e Juízes: eles poderiam ser demitidos sem decisão judicial, por esses conselhos.

Mas você pode pensar que a paridade daria em empate e empate é decidido em favor de quem é julgado.

Santa ingenuidade!

Primeiro, será que não conhecemos o processo legislativo? A proposta começa com paridade e terminará com a maioria  sendo de fora do MP e da magistratura.

Segundo: o Senado já rejeitou a indicação ao Conselho de membros do MP que eram favoráveis à Lava Jato.  O provável é que não se aprove ninguém que não esteja disposto a punir e demitir quem resistir ao sistema.

Junto a tudo isso, ainda tem a Lei Bandido Feliz que eles dizem que seria para coibir abusos.

Se não for demitido por punição administrativa, acabará demitido e/ou preso por fazer um bom trabalho contra o crime ou a improbidade, ou você acha que os fofos e bandidólatras é que vão ser alvo de representações e processos?

A Lei Bandido Feliz por acaso prevê crime por soltar ou pedir soltura contra expressa disposição de lei ou deixar de condenar quando há robusta prova de crime???  Não!!!

Só pune quem combater   a impunidade…

Enfim, o sistema reagiu e quer destruir e intimidar quem ousar lutar novamente contra ele.

Ao contrário da música do Nélson Motta e Lulu, ‘eu vejo a vida pior no futuro, eu vejo isso cercado pelo muro de hipocrisia que insiste em nos intimidar’.

Sim, a pena de morte seria mais digna

Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Manuel Bandeira

*Adriano Alves-Marreiros, Promotor de Justiça Militar e membro do Movimento de Combate à Impunidade e do MP Pró-Sociedade.

*Carmen Carvalho, Promotora de Justiça do Rio de Janeiro e membro do Movimento de Combate à Impunidade.

*Eduardo Paes, Promotor de Justiça do Rio de Janeiro e Membro do MP Pró-Sociedade.

*Harley Wanzeller, Juiz do Trabalho em Marabá, escritor e membro do Movimento de Combate à Impunidade.

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