Pelo celular, ministro das Cidades depõe como testemunha da mulher de Eduardo Cunha

Bruno Araújo, deputado pelo PSDB, respondeu questionamentos da defesa de Cláudia Cruz, ré da Lava Jato por gastos de mais de US$ 1 milhão em lojas de grife na Europa

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Ricardo Brandt

11 de outubro de 2016 | 13h28

brunoaraujo

O ministro das Cidades Bruno Araújo. Foto: Divulgação

Chamado como testemunha da jornalista e mulher do ex-presidente da Câmara, Cláudia Cruz, ré da Operação Lava Jato, o ministro das Cidades Bruno Araújo (PSDB) respondeu de seu celular os questionamentos da defesa e disse que nunca participou de reunião ou conversa ‘sobre negócios com o sr. Eduardo Cunha’.

Ao todo, foram 11 perguntas que o tucano respondeu de forma sucinta. Disse que conheceu Cláudia em uma viagem oficial promovida pela Câmara e que nunca tratou com ela de discussões políticas.
O ministro, que é deputado federal, disse ainda que conheceu Eduardo Cunha, a quem classificou de ‘colega de parlamento’, em 2007.

A resposta por escrito das testemunhas é permitida nas ações penais quando o próprio réu ou mesmo o juiz entender que isso pode ser feito . O expediente já foi usado antes na própria Lava Jato e, no caso do ministro, as respostas foram encaminhadas por e-mail.

Questionado se Cláudia acompanhava o marido nas viagens oficiais da Câmara ele afirmou que ‘eventualmente’ ela pode ter comparecido, mas ‘na condição de esposa’.

O ministro das Cidades faz parte do rol de 26 testemunhas arroladas pela defesa da mulher do peemedebista cassado, – incluindo parlamentares aliados de Cunha e do presidente Michel Temer, além do ex-presidente Collor (1990/1992) e até o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Francisco Resek.

Cláudia é ré na ação penal que responde na Justiça Federal por supostamente ter lavado mais de US$ 1 milhão provenientes de crimes atribuídos ao ex-deputado.

Os investigadores rastrearam o cartão de crédito no exterior e descobriram gastos com roupas, sapatos e bolsas de grife e também em restaurantes finos na Europa.

Ela também é acusada de evasão de divisas. As testemunhas foram indicadas na peça de defesa entregue ao juiz Moro.

Segundo a denúncia da força-tarefa da Lava Jato, Cláudia se favoreceu de parte de valores de uma propina de cerca de US$ 1,5 milhão que o marido teria recebido para ‘viabilizar’ a aquisição, pela Petrobrás, de 50% do bloco 4 de um campo de exploração de petróleo na costa do Benin, na África, em 2011.