Pelé nega ter testemunhado compra de votos para Rio/16

Pelé nega ter testemunhado compra de votos para Rio/16

Rei do futebol depôs no processo em que são réus o ex-governador Sérgio Cabral (MDB) e o ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Carlos Arthur Nuzman

Fabio Grellet / RIO

05 Junho 2018 | 17h38

Pelé. FOTO: NILTON FUKUDA/ESTADÃO

O ex-jogador de futebol Edson Arantes do Nascimento, Pelé, prestou depoimento na tarde desta terça-feira, 5, à Justiça Federal do Rio, por Skype, como testemunha de defesa de Carlos Arthur Nuzman, ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e do comitê organizador da Rio-2016.

Nuzman é acusado, junto com o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) e Leonardo Gryner, ex-diretor de operações do comitê Rio-2016, de ter participado da compra de votos para a escolha do Rio como sede da Olimpíada, em troca de vantagens pessoais.

Pelé respondeu perguntas durante meia hora. O ‘Rei’ afirmou ter sido convidado por Cabral para participar da campanha pela escolha do Rio como sede da Olimpíada, ter feito ‘três ou quatro’ viagens internacionais para divulgar a candidatura e não ter conhecimento de qualquer negociata feita durante essas viagens.

“Eu não fazia parte das reuniões da cúpula”, afirmou.

Segundo Pelé, se durante as viagens de que participou ocorreram conversas nesse sentido, ‘deve ter sido em particular’.

O ex-jogador afirmou ter conhecido no exterior o senegalês Lamine Diack – ex-presidente da Federação Mundial de Atletismo e acusado de ser responsável pela negociação dos votos.

“Ele era apaixonado pelo Brasil, pelo futebol, por Pelé”, relembrou o ‘Rei’.

Ao citar Lamine, no entanto, Pelé negou ter conhecimento de qualquer negociata entre o senegalês e a comitiva brasileira. “Eu tenho muito orgulho de ter participado dessa campanha”, ressaltou mais de uma vez o ex-atleta, dizendo que defenderia a candidatura de qualquer cidade brasileira, ‘o Rio, Três Corações (onde ele nasceu), Bauru (onde morou na infância e começou a jogar futebol) ou qualquer outra cidade’.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE NUZMAN

Os criminalistas Nélio Machado e João Francisco Neto, defensores de Carlos Arthur Nuzman, avaliam que os depoimentos desta terça-feira, 5, são importantes para enfraquecer a acusação contra o ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil.

“Os depoimentos hoje prestados foram bastante firmes no sentido de atestar a dedicação, a correção e o empenho de Carlos Arthur Nuzman em tornar realidade o que seria um sonho. Cada vez mais a acusação se enfraquece com a contundência da prova francamente favorável à defesa.”