Pedro Corrêa chama deputados investigados na Lava Jato para sua defesa

Pedro Corrêa chama deputados investigados na Lava Jato para sua defesa

Ex-deputado (PP/PE), preso em Curitiba (PR), pede que José Otávio Germano, Nelson Meurer e Waldir Maranhão, todos do PP, sejam intimados

Redação

02 de junho de 2015 | 17h16

Da esquerda para a direita: Pedro Corrêa, José Otávio Germano, Nelson Meurer e Waldir Maranhão. Fotos: Agência Estado e Agência Câmara

Da esquerda para a direita: Pedro Corrêa, José Otávio Germano, Nelson Meurer e Waldir Maranhão. Fotos: Agência Estado e Agência Câmara

Atualizada às 23h13

Por Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

O ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), preso no Mensalão e na Operação Lava Jato, colocou em seu rol de testemunhas três deputados investigados por envolvimento no esquema de corrupção instalado na Petrobrás. José Otávio Germano (PP-RS), Nelson Meurer (PP-PR) e Waldir Maranhão (PP-MA) foram chamados pela defesa do ex-parlamentar.

Os três parlamentares foram citados nas delações premiadas do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, personagem central da Lava Jato. Germano, Meurer e Maranhão são investigados em inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, a defesa de Corrêa não explica o motivo de ter chamado os deputados para depor.

O doleiro disse, em delação premiada, que Germano recebia de R$ 30 mil a R$ 150 mil por mês da cota do PP. Costa afirmou também em delação premiada que o parlamentar fez lobby em troca de propina para a Fidens participar de contratos da estatal petrolífera – a empresa atuou em obras da refinaria Premium I, no Maranhão. Germano rechaça a inclusão de seu nome na lista de suspeitos de irregularidades.

Meurer é apontado por Youssef como um dos “líderes” do PP e, como tal, recebia repasses mensais que variavam de R$ 250 mil a R$ 500 mil. O dinheiro era entregue em um hotel em Curitiba. Segundo Costa, Meurer recebeu R$ 4 milhões por meio do doleiro para a campanha de 2010. O doleiro confirma o repasse, mas não sabe como o pagamento foi feito. O parlamentar nega as acusações.

Waldir Maranhão foi citado na delação premiada do doleiro. Youssef afirma que o deputado recebia de R$ 30 mil a R$ 150 mil por mês da cota do PP. O parlamentar nega.

VEJA QUEM SÃO OS POLÍTICOS INVESTIGADOS NA LAVA JATO

Denúncia. Os nomes constam do documento que a defesa apresentou à Justiça Federal como resposta as acusações feitas a Pedro Corrêa. Na denúncia proposta pelo Ministério Público Federal e recebida pela Justiça, o ex-deputado é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. Pedro Corrêa nega todas as acusações.

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirma que o ex-deputado recebeu R$ 5,3 milhões do esquema para sua campanha de 2010. Corrêa também foi citado pelo doleiro Alberto Youssef, personagem central da Lava Jato, como um dos “líderes” do PP, que recebia repasses mensais de R$ 250 mil a R$ 500 mil. O pagamento seria feito no apartamento do ex-parlamentar, no Recife, ou no escritório de Youssef, em São Paulo.

“Todos os valores recebidos pelo réu, inclusive por meio de depósitos bancários não identificados, decorrem apenas e tão somente de rendas provenientes de atividades lícitas, que serão comprovadas ao longo desse processo”, afirma a defesa do ex-deputado.

O PP, partido de Corrêa, o PT e o PMDB são suspeitos de lotear diretorias da Petrobrás para arrecadar entre 1% e 3% de propina em grandes contratos, mediante fraudes em licitações e conluio de agentes públicos com empreiteiras organizadas em cartel. O esquema instalado na estatal foi desbaratado pela força-tarefa da Lava Jato.

No documento anexado aos autos da ação, a defesa de Pedro Corrêa alega exceção de incompetência da Justiça Federal do Paraná, base das investigações da operação, inépcia da denúncia, vedação de dupla punição pelo mesmo fato.

“A vedação da dupla punição pelo mesmo fato, “quer dizer que ninguém deva ser processado e punido duas vezes pela prática da mesma infração penal”, afirmam os advogados do ex-parlamentar. “O réu responde, em razão dos mesmos e idênticos fatos – a dizer, supostamente, por ter sido um dos líderes do PP que teria garantido o cargo de Paulo Roberto Costa na diretoria de abastecimento da Petrobrás e por ter recebido valores advindos da propina relativa aos contratos da diretoria de abastecimento, por meio do processo de lavagem de dinheiro realizado por Alberto Youssef, periodicamente ou em ocasiões extraordinárias, em espécie ou por contas que ele indicava – pelos crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro em duas investigações distintas, uma perante o Supremo Tribunal Federal, nos autos no Inquérito nº 3989, e outra perante este Juízo.”

Segundo os advogados, o ‘Inquérito nº 3989 trata do suposto recebimento, por parte do núcleo político (agentes políticos com foro privilegiado e ex-parlamentares), de recursos oriundos do esquema perpetrado na Petrobrás, que seriam entregues aos destinatários após processo de ocultação e dissimulação’.

A resposta à acusação é subscrita pelos criminalistas Michel Saliba de Oliveira, Gabriela Guimarães Peixoto e Alexandre Augusto Lopes. O documento de 33 páginas foi entregue à Justiça em 29 de maio.

Os três deputados foram procurados pela reportagem, mas não responderam aos questionamentos.

VEJA O ROL DE TESTEMUNHAS DE PEDRO CORRÊA:

1) Marcos Francisco Pereira Lima

2) Jose Soares de Araujo

3) Jean Paul de Araújo

4) Guilherme Mussi Ferreira, deputado federal

5) José Otávio Germano, deputado federal

6) Nelson Meurer, deputado federal

7) Waldir Maranhão Cardoso, deputado federal

8) José Cleonâncio da Fonseca, ex-deputado federal

COM A PALAVRA, O DEPUTADO GUILHERME MUSSI.

“O deputado Guilherme Mussi, filiado ao Partido Progressista em meados de 2013, não mantém relação pessoal e nunca teve convivência partidária com o ex-deputado Pedro Corrêa. E como não tem nenhum tipo de envolvimento ou citação em qualquer investigação, nas quais Pedro Corrêa está sendo acusado, não existe razão alguma para que ele arrole o deputado Guilherme Mussi como testemunha, a não ser algum tipo de estratégia jurídica.”

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