PCC planejava onda de atentados e torturas contra agentes públicos

Em parceria com Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Polícia Federal desarticulou estratégia de organização criminosa que visava desestabilizar sistema prisional

Fabio Serapião/BRASÍLIA, Fausto Macedo e Luiz Vassallo/SÃO PAULO

11 Outubro 2018 | 11h39

Os setores de inteligência da Polícia Federal e Departamento Penitenciário Nacional (Depen) mapearam e desarticularam um plano do Primeiro Comando da Capital (PCC) para realizar atentados contra agentes públicos e explodir bombas em prédios públicos em todo Brasil. Um dos alvos seria a sede do próprio Depen, em Brasília.

Segundo a PF, com base na análise de bilhetes apreendidos pelos agentes do Depen foi possível interceptar ordens dos principais líderes da facção que de dentro da penitenciária federal de Porto Velho, em Rondônia, articulavam a ação criminosa. A investigação do caso deu origem a duas operações deflagradas nesta quinta-feira, 11: a Pé de Borracha e Morada do Sol.

Estão sendo cumpridos três mandados de prisão preventiva e quatro mandados de busca e apreensão, sendo três deles em celas da Penitenciária e um imóvel de Porto Velho. Também serão proibidas as visitas intimas para os alvos e eles serão incluídos no regime disciplinar diferenciado, o RDD.

A Pé de Borracha, a partir da análise da comunicação entre os presos, identificou um plano criminoso que visava o uso de explosivos em unidades prisionais. O objetivo do plano, segundo a PF, era desestabilizar o sistema penitenciário federal, em especial o Depen.

A Morada do Sol, por sua vez, mira o plano do PCC de sequestrar, torturar e assassinar agentes público para pressionar o governo federal e o Supremo Tribunal Federal (STF) a liberar as chamadas visitas íntimas nos presídios federais. As visitas estão suspensas desde julho de 2017.

“As investigações identificaram que a facção criminosa já havia realizado o levantamento da rotina e atividade de diversos servidores públicos fora do ambiente de trabalho para serem sequestrados e/ou assassinados em seus momentos de folga”, disse a PF por meio de nota.

Os investigadores descobriram que a comunicação entre os presos se dava por meio de bilhetes repassados entre as celas pelas chamadas “terezas” – pequenas cordas criadas a partir de fios retirados de roupas.

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