Paulo Guedes e a reforma da Previdência

Paulo Guedes e a reforma da Previdência

Bady Curi Neto*

05 de abril de 2019 | 13h00

Bady Curi Neto. FOTO: TELMA TERRA

Os brasileiros assistiram ansiosos à explicação do ministro Paulo Guedes da necessária e imperiosa reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça na Câmara dos Deputados Federais.

A reforma em questão é vital não só para o desenvolvimento do Brasil, mas, principalmente, para o futuro da própria Previdência, sabidamente falida, como pode ser observado pelas crises dos estados da federação, que se quer consegue honrar a folha de pagamento de seus funcionários e aposentados.

O que deveria ser uma comissão para elucidação dos deputados e a verificação dos aspectos constitucionais do projeto da reforma enviada pelo Poder Executivo, transformou em um triste espetáculo de agressões ao ministro convidado pelos deputados oposicionistas, principalmente aqueles que apoiaram o atual condenado e ex-presidente Lula e da defenestrada Dilma Rousseff por crime de responsabilidade.

Tudo levou a crer que os representantes eleitos oposicionistas ligados ao Partido dos Trabalhadores preferiram o enfrentamento a sanar possíveis dúvidas por meio de perguntas diretas. A toda hora intercalavam indagações com hostilidade contra o convidado ou ao governo Bolsonaro.

Paulo Guedes respondeu a todas as perguntas com embasamento técnico, sempre alertando que o projeto é do executivo, mas a decisão é, por evidente, do congresso que pode aprová-la in totum, em parte, adequá-la ou mesmo reprová-la.

Depois de muita provocação, acusado de mentiroso, discursos políticos e perguntas fora da pauta daquela sessão, a exemplo da tributação sobre grandes fortunas, dividendos, o ministro fora interrompido, de forma grosseira, no seu momento de respostas.

A inadequada postura de alguns parlamentares petistas levou o ministro, em tom enérgico, dizer algumas verdades àqueles deputados: “Eu ouvi todo mundo falar por três minutos cada um. As provocações que me fazem, fale a verdade, se é para provocação. Vocês estão há quatro mandatos no poder, por que não botaram o imposto sobre dividendo? Por que deram benefícios para bilionários? Por que deram dinheiro para a JBS? Por quê? Vocês estiveram no governo por 16 anos, nós estamos há três meses e não tiveram coragem de mudar”.

Após ‘bater na cangalha para ver se o burro escuta’, como dito no antigo ditado popular e arrefecido os ânimos, Paulo Guedes, respondeu à indagação do porquê não cortou a aposentadoria dos militares. “Cortem vocês, vocês são o poder, vocês têm medo de fazer isto? Vocês são o Congresso Nacional.”

Reiniciada a sessão, o deputado petista Zeca Dirceu, filho de José Dirceu, condenado na Justiça nos processos do mensalão e da Lava Jato, de forma grosseira, inescrupulosa, chamou o ministro de ‘tchutchuca’, o que fez acirrar os ânimos novamente e pôr término à sessão da CCJ. Mais uma vez, socorre-se ao adagiário popular, ‘quem sai aos seus não se degenera’.

Espera-se que a batida da cangalha tenha servido para que a oposição acorde, assumindo suas responsabilidades, deixando os discursos meramente políticos, e percebam que a reforma da Previdência não é um projeto exclusivo do governo Bolsonaro, mas um problema da população brasileira que há de ser resolvido.

E com a palavra o Congresso Nacional!

*Bady Curi Neto, advogado fundador do Escritório Bady Curi Advocacia Empresarial, ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG)

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