Patrimônio de Cláudia cresceu 149% em 6 anos

Patrimônio de Cláudia cresceu 149% em 6 anos

Análise da Receita é baseada em dados declarados pela mulher do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ); ela afirma que atua como ‘espécie de mestre de cerimônias’

Julia Affonso, Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

30 de junho de 2016 | 13h37

Foto: Divulgação

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O patrimônio da jornalista Cláudia Cruz, mulher do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), saltou de R$ 1.617.519,09, em 1.º de janeiro de 2008, para R$ 4.029.025.65, em 31 de dezembro de 2014. Um crescimento de 149%, segundo dados da Receita. A análise do Fisco é baseada nos dados declarados por Cláudia.

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A mulher de Eduardo Cunha é ré em ação penal na 13ª Vara Federal Criminal, do juiz Sérgio Moro, em Curitiba, por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O deputado afastado é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro em duas ações no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em depoimento à força-tarefa da Lava Jato em abril, Cláudia afirmou que ‘atualmente exerce a atividade de jornalista apresentando eventos esporádicos’, uma espécie de ‘mestre de cerimônias’. Como exemplo, a mulher de Cunha citou ‘um grande evento da Shell em Paris’.

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O quadro da evolução patrimonial da mulher do peemedebista faz parte de Relatório da Receita anexado aos autos da Operação Lava Jato. A tabela é composta de quatro colunas com data, bens e direitos, dívidas e ônus reais e observações.

No comentário relacionado à data de 31 de dezembro de 2008, a Receita afirma que Claudia declara ‘anualmente razoáveis ou expressivos rendimentos mensais supostamente recebidos de pessoas físicas (sujeitos a carne-leão)’. Naquele ano foram R$ 80 mil.

“Os maiores dispêndios com patrimônio declarados em 2008, foram aquisições de dois veículos numa mesma loja (AutoMiami Comercial Ltda), sendo um Cayene S por R$ 310 mil e um Passat por R$ 77 mil, aparentemente à vista. Tal acréscimo patrimonial foi em parte coberto com a declaração de uma suposta dívida ou mútuo assumido por Claudia Cruz, empréstimo este concedido (segunda a declaração) por Oliveira Francisco da Silva, de valor R$ 250 mil”, aponta o Fisco.

De acordo com o relatório, a dívida não foi quitada até 31 de dezembro de 2014, data da última Declaração de imposto de Renda disponível.

À Receita, em declaração relativa a 2010, Cláudia Cruz informou ‘expressivo rendimento recebido em ação da Justiça do Trabalho, via Banco do Brasil, em 2010: R$ 2,7 milhões’, no qual constaram valores de despesas com advogado. No ano seguinte, o Fisco destacou uma doação concedida por Claudia Cruz em dinheiro, de R$ 120 mil, ao enteado Felipe Dytz da Cunha e mais R$ 86 mil ‘como adiantamento constante da declaração de bens em 31 de dezembro de 2011’.

“Observa-se possível omissão na declaração de bens relativa a aquisição em 21 de dezembro de 2011 de um apartamento na Rua Alagoas, 974, São Paulo, SP, no valor da escritura de R$ 195 mil”, anotou o Fisco.

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