Patriarca da Odebrecht diz que Covas o apresentou a Lula e ‘Carta aos Brasileiros’ teve sua ‘contribuição’

Patriarca da Odebrecht diz que Covas o apresentou a Lula e ‘Carta aos Brasileiros’ teve sua ‘contribuição’

Emílio Odebrecht contou à força-tarefa da Lava Jato que ex-governador de São Paulo sugeriu que procurasse o petista, na década de 1980, para ajudá-lo a debelar uma greve de trabalhadores e, ainda, que em 2002 documento para 'acalmar' o mercado teve sua 'contribuição'

Fabio Serapião, Beatriz Bulla e André Borges, de Brasília

13 de abril de 2017 | 19h57

Fotos: Luiz Paulo Lima A/E, Gabriela Bilo -Estadão, e Paulo Giandalia - Estadão

Fotos: Luiz Paulo Lima A/E, Gabriela Bilo -Estadão, e Paulo Giandalia – Estadão

Durante a negociação do acordo de colaboração, o empreiteiro Emílio Odebrecht entregou à Procuradoria-Geral da República um relato no qual detalha sua relação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as doações para todas as suas campanhas eleitorais, o lobby praticado junto ao petista e até a ajuda para formulação da notória “Carta ao Brasileiros” – texto divulgado na campanha de 2002 para tentar acalmar o mercado financeiro diante da provável eleição do petista.

Documento

Segundo o patriarca da empreiteira baiana, sua relação com o ex-presidente começou no início da década de 80 pelas mãos do ex-governador de São Paulo, o tucano Mário Covas. “Como a greve não contava com o apoio do sindicato e tínhamos dificuldade de dialogar com os empregados que comandavam a greve, pedi apoio a Mário Covas, que por sua vez me sugeriu que eu conhecesse Luiz Inácio Lula da Silva, dada a sua reconhecida liderança no ambiente sindical e sua capacidade de mediar diálogos entre líderes grevistas e empresários”, explicou Emílio ao contar que Lula teve papel importante no fim da paralisação.

Após a eleição de 2002, quando Lula tornou-se presidente, Emílio conta que passou a reunir-se periodicamente para discutir temas empresariais de interesse da Odebrecht. “Essas conversas permitiam-me ter uma melhor compreensão das políticas de governo e, por consequência, melhor direcionar as empresas da organização, bem como tentar influenciar que o ex-presidente adotasse políticas de governo que fossem coincidentes com os nossos interesses empresariais, sendo que muitas vezes eu obtive êxito”, afirmou Emílio.

Por conta dessa estreita relação, contou Odebrecht, a empreiteira sempre apoiou as campanhas eleitorais de Lula. “Aliás, o nosso apoio financeiro se iniciou ainda quando ninguém o apoiava e não posso negar que fazíamos pagamentos em volumes consideráveis”, afirmou. Entretanto, segundo Emílio, a relação não se baseava apenas em apoio financeiro. Segundo o delator, um dos casos que exemplificam essa relação além dos pagamentos é o caso da “Carta aos Brasileiros”.

Datada de 22 de junho de 2002, a carta tinha como objetivo acalmar o mercado financeiro em relação a uma possível vitória de Lula das eleições presidenciais naquele ano. “Essa carta tem muita contribuição nossa. Nesse mesmo sentido, recordo-me, particularmente, que, em 2001 e 2002, organizei uma série de encontros com empresários de diversos setores para apresentar o ex-presidente e as suas ideias”, explicou.

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