Pastor lobista e advogado ‘infiltrado’ no MEC se hospedaram 10 vezes no mesmo hotel apontado como QG de negociação de propinas

Pastor lobista e advogado ‘infiltrado’ no MEC se hospedaram 10 vezes no mesmo hotel apontado como QG de negociação de propinas

Levantamento da PF mostra que registros começam em agosto de 2020, cerca de um mês após o ex-ministro Milton Ribeiro assumir o Ministério da Educação, e terminam em março deste ano, quando o 'Estadão' revelou o gabinete paralelo

Rayssa Motta, Julia Affonso e Pepita Ortega

26 de junho de 2022 | 19h35

O então ministro Milton Ribeiro aparece ao lado dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura. Foto: Catarina Chaves/MEC

A investigação da Polícia Federal (PF) sobre o gabinete paralelo de pastores lobistas no Ministério da Educação (MEC) mostrou que o advogado Luciano Musse, ex-gerente de projetos na Secretaria Executiva da Pasta, e o pastor Arilton Moura se hospedaram pelo menos dez vezes no hotel Grand Bittar, em Brasília, em datas coincidentes.

O advogado foi infiltrado pelos pastores no MEC e passou quase um ano no cargo. O hotel era usado para negociações de verbas federais com prefeitos, como revelou a Folha de São Paulo.

A análise nos arquivos do hotel mostrou um total de 63 hospedagens no nome de Arilton Moura e 29 no nome dele Luciano Musse desde 2020. Os investigadores também encontraram um check-in do pastor Gilmar Santos.

Os registros começam em agosto de 2020, cerca de um mês após o ex-ministro Milton Ribeiro assumir o MEC, e terminam em março deste ano, quando o Estadão revelou a existência do gabinete paralelo de pastores que passou a controlar a agenda e as verbas do Ministério da Educação. Prefeitos relataram cobrança de propinas em dinheiro e até em ouro em troca da liberação de recursos.

O ex-ministro e os pastores foram presos preventivamente na última quarta-feira, 22, na Operação Acesso Pago, mas acabaram soltos no dia seguinte por um habeas corpus do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1). O advogado havia recebido ordem de prisão domiciliar. Eles são investigados por suspeita de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência.

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