‘Pastor André nosso irmão querido’, disse Crivella

‘Pastor André nosso irmão querido’, disse Crivella

Em vídeo, o então ministro da Pesca e atual prefeito do Rio apoiou, em 2012, a candidatura a vereador de André Luiz Magalhães (PRB), preso nesta terça-feira, 6, por suspeita de fraudes nas obras da Câmara de Planaltina de Goiás, a 260 quilômetros de Goiânia e a 60 de Brasília

Julia Affonso

06 Novembro 2018 | 13h54

Marcelo Crivella e Pastor André. Foto: Reprodução

Atual prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB) apoiou em vídeo, em 2012, o então candidato a vereador de Planaltina de Goiás Pastor André (PRB) – preso nesta terça, 6, pelas polícias Civil e Militar na Operação Mãos à Obra, investigação do Ministério Público de Goiás que mira fraudes em reformas da Câmara municipal. Naquele ano, Crivella, então senador, ocupava o cargo de ministro da Pesca do Governo Dilma Rousseff.

Hoje prefeito de Planaltina de Goiás, Pastor André Luiz Magalhães – além de outros sete investigados – está preso por ordem judicial.

Planaltina de Goiás, com 81 mil habitantes, fica situada a 260 quilômetros da capital Goiânia e a 60 de Brasília.

“Alô, meus amigos de Planaltina, aqui é o senador Marcelo Crivella, ministro da Pesca. Eu quero pedir a vocês para nós votarmos para vereador no candidato 10123, Pastor André. Pastor André é nosso irmão querido e eu tenho certeza que ele vai nos representar a altura dos princípios sagrados da nossa fé, dos ideais que um dia nós juramos amar e preservar para sempre”, disse, na ocasião, Marcelo Crivella. “Ele vai estar lá para buscar dias melhores para nossa gente sofrida e valente. Então, eu peço a você, vamos votar Pastor André 10123. Muito obrigado, que Deus abençoe a todos.”

Na mesma época, Crivella gravou mensagens de apoio a outras candidaturas de pastores.

Crivella foi ministro da Pesca entre 2012 e 2014. Pastor André é vereador desde 2005 e chegou a ocupar a cadeira de presidente da Câmara de Planaltina antes de assumir a Prefeitura.

Em agosto, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) manteve a condenação do então prefeito David Alves Teixeira Lima (PR) e da então vice-prefeita Maria Aparecida dos Santos (Pros) de Planaltina de Goiás por compra de votos nas eleições de 2016, em ação de investigação judicial eleitoral proposta pelo Ministério Público Eleitoral (MPE). Ambos tiveram os diplomas cassados e foram condenados ao pagamento de multa de cerca de R$ 32 mil.

O relator do processo no TRE, juiz Rodrigo de Silveira, determinou que se oficiasse ao presidente da Câmara dos Vereadores de Planaltina para que assumisse a chefia do Executivo até a realização de novas eleições a serem designadas pelo tribunal. Pastor André, então, assumiu o comando da Prefeitura.

Segundo o site do PRB, o pastor pediu, na ocasião, serenidade e afirmou que seu compromisso seria conduzir com responsabilidade a gestão do município. “A cassação cabe recurso e para evitar maiores prejuízos ao município, pedimos cautela para não mexermos em cargos e ações durante o período do recurso de 72 horas, seguindo com normalidade os atos da Prefeitura durante este período”, declarou.

Em 28 de outubro, a cidade foi às urnas em eleição suplementar para escolha do prefeito. Eles Reis (PTC) foi eleito com 43,76% dos votos. Pastor André ficou em segundo com 40,75%.

Durante as investigações, o Ministério Público identificou que o Pastor André, na presidência da Câmara de Planaltina, teria fraudado contratações de empresas e superfaturado obras, além de ter desviado recursos do erário público.

Operação Mãos à Obra cumpre oito mandados de prisão – 5 temporárias e 3 preventivas -, além de 14 de busca e apreensão, contra empresários suspeitos de terem participado de fraude nas licitações da reforma do prédio do poder legislativo de Planaltina.

Segundo o Ministério Público, esta é a primeira vez que um juiz de primeira instância, Carlos Gustavo Fernandes de Moraes, determina a prisão de um prefeito, após decisão do Supremo Tribunal Federal sobre foro privilegiado ocorrida em maio deste ano.

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE PLANALTINA

Nota oficial de esclarecimento

A Prefeitura de Planaltina GO, informa que os trabalhos junto a operação ao MP (Ministério Público) desta manhã (06/11) ocasionaram uma situação adversa em nosso município, com a detenção temporária do prefeito em exercício e alguns funcionários.

Contudo tranquilizamos a toda população que os trabalhos seguem normalmente, aguardando maiores informações junto ao poder judiciário.

Pedimos cautela junto aos boatos que circulam, pois junto aos detidos para averiguação dos fatos, existem pais e mães de famílias, e o processo não foi finalizado.

Que a justiça seja feita pelo poder competente e assim cada um possa dar suas devidas explicações e finalizarem a operação de forma transparente e justa.

COM A PALAVRA, MARCELO CRIVELLA

A reportagem fez contato com a Prefeitura do Rio por e-mail. O espaço está aberto para manifestação.