Pasadena teve ‘acerto’ de US$ 15 milhões, apontou operador do PMDB

Pasadena teve ‘acerto’ de US$ 15 milhões, apontou operador do PMDB

Fernando Baiano contou detalhes sobre valores e envolvidos em compra de refinaria no Texas, alvo da 20ª fase da Lava Jato; ex-gerente de Inteligência de Mercado é alvo central

Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

16 Novembro 2015 | 12h07

Refinaria de Pasadena, no Texas. Foto: Richard Carson/Divulgação

Refinaria de Pasadena, no Texas. Foto: Richard Carson/Divulgação

A compra da Refinaria de Pasadena envolveu uma propina de pelo menos US$ 15 milhões e teve como figura central das negociações o ex-gerente de Inteligência de Mercado da Diretoria de Internacional da Petrobrás Rafael Mauro Comino, um dos alvos da Operação Corrosão – 20ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira, 16.

“(Comino) participou ativa e intensamente do processo de aquisição da Refinaria de Pasadena, tendo atuado subordinadamente a Nestor Cerveró”, diz o pedido de prisão temporária da Lava Jato. Cerveró era o diretor de Internacional, sustentado pelo PMDB no cargo.

“Comino juntamente com Luis Carlos Moreira, realizou reunião no ano de 2004 para discutir com o Vice-Presidente da Astra, Alberto Feilhaber, a aquisição da Refinaria de Pasadena pela Petrobrás e coordenou o processo de sua aquisição (50% iniciais), tendo integrado a equipe de negociação de propostas, preços e condições contratuais e apresentado o negócio da aquisição desta à Diretoria Executiva e ao Conselho de Administração”, informa a Lava Jato.

TRECHO INICIAL PASADENA 15 MI

As revelações do operador de propinas do PMDB Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, foram decisivas para as descobertas da Lava Jato em Pasadena. Ele apontou o ex-gerente de Internacional Luis Moreira e Cerveró como responsáveis pelo “acerto” em Pasadena.

‘Com o pagamento de ‘comissão’ no negócio de aquisição da Refinaria de Pasadena e que o valor da ‘comissão’ (propina) seria de US$ 15 milhões de dólares, sendo que Alberto Feilhaber, representante da Astra Oil, foi a pessoa responsável por conseguir aprovar na Astra o pagamento da ‘comissão'”, informa a PF.

Fernando Baiano apontou também um certo ‘Godinho’ como suposto emissário do senador Delcídio Amaral (PT/MS) para recebimento de propinas, entre US$ 1 milhão e US$ 1,5 milhão, relativas à compra da Refinaria Pasadena, nos EUA – negócio que, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), provocou um prejuízo superior a US$ 700 milhões ao Brasil.

O delator disse que, em 2006, Nestor Cerveró, da Diretoria Internacional da Petrobrás, o procurou e disse que ‘estava sendo muito pressionado’ por Delcídio que, na época, disputava eleição e ‘estava tendo gastos elevados’. Cerveró pediu a Baiano que repassasse ao senador ‘a maior parte’ da propina de Pasadena que cabia a ele próprio, Cerveró.

Baiano relatou que ‘foi entabulado um cronograma de pagamento para Godinho’ e que os repasses seriam sempre em dinheiro vivo.

Godinho esteve pelo menos ‘cinco ou seis vezes’ no escritório de Baiano, no Rio. O delator disse que perguntou a Godinho se ela era funcionário do senador. O homem disse que era ‘amigo’ de Delcídio.

 

TRECHO SOBRE PASADENA INICIAL

A Astra Oil era a antiga dona de Pasadena que vendeu 50% à estatal brasileira em 2006. O negócio foi aprovado pelo Conselho de Administração da estatal brasileira, à época presidido pela então ministra-chefe da Casa Civil, a hoje presidente da República Dilma Rousseff. Dilma diz que só aprovou a compra porque o conselho recebeu um resumo técnico “falho” e “incompleto” sobre a aquisição. Segundo o Tribunal de Contas da União, o negócio gerou um prejuízo de US$ 792 milhões.

Segundo Baiano, a “distribuição dos valores pagos a título de propina foi feito da seguinte forma. “US$ 6 milhões foram pagos aos funcionários da Diretoria Internacional, quais sejam: Nestor Cerveró, Luis Carlos Moreira, Agosthilde Mônaco, Rafael Comino e Cezar Tavares”.

Houve ainda o pagamento de US$ 2 milhões para a Diretoria de Abastecimento, em favor de Paulo Roberto Costa, ex-diretor e delator da Lava Jato.