Pasadena era ‘ruivinha’ que precisava ‘de um banho de loja’

Pasadena era ‘ruivinha’ que precisava ‘de um banho de loja’

Más condições da refinaria americana, tomada pela ferrugem, viraram chacota dentro da Petrobrás

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

16 Novembro 2015 | 15h40

Refinaria de Pasadena, no Texas. Foto: Richard Carson/Divulgação

Refinaria de Pasadena, no Texas. Foto: Richard Carson/Divulgação

As más condições estruturais da Refinaria de Pasadena, comprada pela Petrobrás nos Estados Unidos, renderam chacotas dentro da própria estatal. O novo delator da Operação Lava Jato, o engenheiro Agosthilde Mônaco de Carvalho, afirmou que internamente Pasadena era conhecida como ‘ruivinha’. A compra da refinaria é um dos alvos da Operação Corrosão, 20ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira, 16.

“A refinaria de Pasadena passou a ter internamente o apelido de “ruivinha” por causa dos inúmeros equipamentos e estruturas que se encontravam enferrujadas”, declarou o executivo à força-tarefa da Lava Jato.

A compra da refinaria de Pasadena é um caso emblemático da corrupção instalada na Petrobrás. Segundo o Tribunal de Contas da União, a compra da refinaria causou um prejuízo de US$ 792 milhões.

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Entre fevereiro de 2003 e fevereiro de 2008, Mônaco foi assistente do Diretor da Área Internacional da Petrobrás. O executivo era homem de confiança do então diretor que comandava o setor, Nestor Cerveró.

Em seu termo de colaboração número 1, Mônaco relatou que no fim de 2004 recebeu determinação de Nestor Cerveró para localizar refinarias de petróleo que estivessem à venda nos Estados Unidos para compra pela Petrobrás. Segundo ele, na época era parte do plano estratégico da companhia o escoamento da produção excedente de petróleo para o exterior.
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Agosthilde Mônaco de Carvalho afirmou que em janeiro de 2005, durante um telefonema com o presidente da Astra Oil Alberto Failhaber, então proprietária de Pasadena, soube que a empresa tinha acabado de adquirir a refinaria e teria interesse em revendê-la.

“Nesta ligação o Sr. Alberto Failhaber, perguntado sobre as condições da refinaria, disse que a mesma precisava “tomar um banho de loja” para ficar nos padrões de qualidade técnica da Petrobrás, uma vez que ela foi comprada na “bacia da almas”, posto que o antigo proprietário (CROWN), por problemas financeiros, quase não mais investia em manutenção preventiva, os equipamentos estavam desgastados e mal conservados, tinham problemas de segurança operacional, a mão de obra desmotivada e, principalmente, sem crédito para aquisição de óleo, matéria-prima operacional”, declarou.

O braço-direito de Cerveró afirmou à força-tarefa da Lava Jato que uma comissão visitou a refinaria de Pasadena para avaliação. “Nesta visita, ocorrida entre os dias 29 a 31 de março de 2005, verificou que a mesma realmente encontrava-se em péssimas condições de conservação, se comparada às refinarias brasileiras e que seriam necessárias várias reformas na Refinaria para que ficasse em boas condições; que todos os membros da comissão observaram que a Refinaria não estava em boas condições; que foi elogiada a localização física, mas não a condição operacional da Refinaria; que ao retornar ao Brasil comunicou esses fatos ao Diretor Nestor e recebeu a mesma informação, “não se meta, Mônaco, isso é coisa da Presidência”.