Parcerias para inovação geram oportunidades para startups e companhias tradicionais

Parcerias para inovação geram oportunidades para startups e companhias tradicionais

Marcus Rocha*

11 de março de 2021 | 03h15

Marcus Rocha. FOTO: DIVULGAÇÃO

Em agosto de 2018 a Pfizer, uma das maiores indústrias farmacêuticas do mundo, anunciou ao mercado uma parceria com a até então pouco conhecida BioNTech, especializada em pesquisas de medicamentos para tratamento de câncer e doenças infecciosas. O foco da parceria era o desenvolvimento de vacinas para a influenza com uso da tecnologia do RNA mensageiro.

Na época do anúncio, a vice-presidente e Head da unidade de pesquisas e desenvolvimento de vacinas da gigante farmacêutica, Kathrin Jansen, destacou a importância da parceria para acelerar as pesquisas e buscar vacinas mais baratas do que as utilizadas até então. Dois anos e meio depois, não há brasileiro que desconheça a parceria Pfizer BioNTech, agora responsável pelo desenvolvimento de uma das vacinas para o combate ao coronavírus.

Esse é um exemplo e tanto de um movimento cada vez mais comum entre empresas de todo o mundo: a construção de parcerias entre diferentes companhias para o desenvolvimento de produtos inovadores. Depois de vencer inúmeras resistências – a maior delas, a necessidade de compartilhar informações do negócio com atores externos – a prática tornou-se bastante comum. Hoje há, inclusive, diversos ambientes destinados a estimular essa aproximação, ajudando a promover o “casamento” de ofertas e demandas tecnológicas.

A ideia não é tão nova assim. Em 2003 o americano Henry Chesbrough cunhou o conceito “inovação aberta” em seu livro “Open Innovation: The New Imperative for Creating and Profiting from Technology”. Ou seja: trabalhar em conjunto com outras empresas, institutos de pesquisa, laboratórios ou instituições de ensino tornou-se imperativo para o desenvolvimento de inovações que gerem lucros em tempos de avanços tecnológicos acelerados. Nos últimos anos, grandes companhias apostaram nesse formato – entre elas empresas altamente inovadoras, como a própria Pfizer, a Apple e a Intel.

Com benefícios variados – barateamento do processo de P&D; ganhos de velocidade para a introdução de novos produtos ou serviços no mercado; diminuição do risco de perdas de investimentos, entre outros – a tendência é de que as parcerias se tornem mais e mais comuns. Por certo também deixarão de ser restritas às gigantes do mercado e se tornarão cada vez mais frequentes entre indústrias, redes varejistas e prestadoras de serviço de médio porte da chamada “economia tradicional”.

Afinal, não custa lembrar, a pressão provocada pela inovação há tempos deixou de ser um risco distante, percebido no horizonte de médio ou longo prazo. Que o digam os hotéis, pressionados pelas plataformas de hospedagem; as imobiliárias tradicionais, que tiveram de buscar inovações para competir com as techs do setor, e até as grandes companhias de alimentação, que já encaram o desafio trazido pela “comida do futuro”.

Há nesse cenário uma série de oportunidades para as startups, negócios que se destacam justamente pela velocidade de movimentos, pelo espírito inovador e pelos modelos de negócio altamente escaláveis e com receitas recorrentes. Em sua maioria “jovens” no mercado, essas organizações podem atuar em simbiose com companhias tradicionais estabelecendo uma relação do tipo ganha – ganha. De um lado, empresas pressionadas por concorrentes que dominam novas tecnologias buscam parceiros com alternativas inovadoras de forma muito mais rápida, principalmente quando se compara com os departamentos de P&D (pesquisa e desenvolvimento) internos. De outro, as novatas têm a oportunidade ao oferecer um produto que resolve dores de um grande parceiro, viabilizando toda a operação, “escalando” o negócio e ganhando experiência empresarial.

Questões culturais ainda podem barrar a prática em diferentes setores ou empresas. O medo que muitos gestores têm de expor fragilidades ou planos para terceiros precisa ser substituído por uma mentalidade de parcerias para ampliar o alcance criativo para a solução de problemas ou o aproveitamento de oportunidades do mercado. Os diversos exemplos bem-sucedidos de parcerias devem servir para derrubar esses obstáculos.

A inovação, afinal de contas, é sempre um componente estratégico as empresas. É uma competição de longo prazo na qual é fundamental ganhar e manter velocidade, o que pode fazer a diferença entre a sobrevivência ou o encerramento das operações.

*Marcus Rocha, CEO do 2Grow Habitat de Inovação

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