Parceiro de Youssef confirma que lavou dinheiro da Odebrecht na China

'Dinheiro era remetido ao exterior e ele me indicava para qual conta transferir', diz Leonardo Meirelles em depoimento da Lava Jato em que é testemunha de acusação do MPF

Redação

04 de setembro de 2015 | 05h00

Leonardo Meirelles, apontado como doleiro usado por Youssef

Leonardo Meirelles, apontado como doleiro usado por Youssef

Atualizada às 11h35

Por Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

A Odebrecht usou a lavanderia de dinheiro usada pelo doleiro Alberto Youssef, que envolvia o esquema de importação e lavagem usado com comerciantes da 25 de Março, maio centro de compras popular de São Paulo, que envolvia contas de duas offshores na China e falsas importações.

O doleiro Leonardo Meirelles, que era usado pelo doleiro Alberto Youssef para enviar dólares ao exterior e disponibilizar moedas em reais no Brasil, movimentou dinheiro da Odebrecht, acreditam os procuradores da Lava Jato.

Ontem, ao ser ouvido pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato, Meirelles afirmou que recursos da Odebrecht teriam sido movimentados por ele nessa parceria de câmbio com Youssef.

Meirelles é o dono no papel das indústrias de medicamentos Labogen e Piroquimica. Elas participaram do esquema de tentativa de contrato milionário com o Ministério da Saúde, que envolveu o ex-vice-presidente da Câmara dos Deputados André Vargas (ex-PT, hoje sem partido/PR), o doleiro Alberto Youssef e o ex-ministro do governo Collor Pedro Paulo Leoni Bergamaschi, o PP do grupo GPI Investimentos.

Colaboração. Condenado em um processo da Lava Jato e réu e outros duas ações penais, ele afirmou que está em tratativa com a Procuradoria Geral da República para tentar um acordo de delação premiada.

Meirelles confirmou ser o titular das contas das offshores RFY Import & Export, e DGX Import e Export, que mantinha contas em bancos de Hong Kong, China, bancos HSBC e Standart Charter.

“O senhor recebeu valores nessas contas do senhor Alberto Youssef?”, questionou o juiz federal Sérgio Moro – que conduz os processos da Lava Jato.

“Inúmeras”, respondeu Meirelles.

“Quem depositava era o próprio Alberto Youssef ou terceiros a pedido dele?”, pediu detalhes, o magistrado.

“A grande maioria terceiros.”

Questionado sobre declaração anterior dada por ele, em que disse que certa vez Youssef afirmou que valores eram da Odebrecht, ele confirmou. “Seriam vários valores.”

Os dinheiro enviados ao exterior para as contas de Meirelles seguiam dois destinos: ou transferências para contas de outros beneficiários no exterior e disponibilização em moedas no Brasil.

“Foram mais de 4 mil operadores”, afirmou ele sobre conhecimento de ter feito pagamentos diretos a Paulo Roberto Costa.

COM A PALAVRA, A ODEBRECHT

“A defesa do executivo e dos ex-executivos da Odebrecht esclarecerão o tema no momento devido do processo penal.”

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