‘Parabéns a esse time campeão’, comemora empreiteiro da Andrade Gutierrez

‘Parabéns a esse time campeão’, comemora empreiteiro da Andrade Gutierrez

Otávio Marques Azevedo parabenizou executivo da CCR, braço do grupo no setor de transportes, em mensagem de celular, após vitória do leilão de concessão de trecho da BR-163, em 2013; nomes dos então ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e César Borges (Transportes) são citados

Ricardo Brandt, Julia Affonso, Fausto Macedo, Fábio Serapião e Mateus Coutinho

12 de julho de 2016 | 10h00

MENSAGEM OTAVIO GLEISI PARABENS

“Parabéns a esse time campeão.” A mensagem é o ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques Azevedo, delator da Operação Lava Jato, e foi enviado no dia 19 de dezembro de 2013 para Ricardo Mello Castanheira, executivo do Grupo CCR, braço da empreiteira que atua  no setor de transportes, como rodovias e aeroportos.

A congratulação feita ao executivo encerra uma série de mensagens entre os dois, entre os dias 12 de novembro e 19 de dezembro de 2013, em que tratam sobre concessões de rodovias realizadas pelo governo da presidente afastada Dilma Rousseff. A CCR foi vencedora do trecho da BR-163 em Mato Grosso do Sul.

Nas conversas reunidas pela força-tarefa da Operação Lava Jato, os investigados citam tratativas os nomes do então ministro de Transportes, Cesar Borges, e da Casa Civil, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).

“Você já deve saber. Ganhamos a 163 MS, Gleisi mandou um abraço e agradeceu. César Borges muito feliz. Abs”, escreveu Castanheira para o então presidente da Andrade Gutierrez, na mensagem anterior à parabenização de resposta.

A senadora Gleisi Hoffmann é investigada pela Lava Jato, nos inquéritos que correm no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo alvos com foro privilegiado. Seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo (Planejamento e Comunicações)  foi preso no dia 23 de junho, alvo da Operação Custo Brasil – desmembramento da Lava Jato. Os dois são suspeitos de receberam propinas desviadas via Ministério do Planejamento de contratos de empréstimos consignados em folha dos servidores federais, um rombo de mais de R$ 100 milhões, entre 2010 e 2015.

MENSAGEM OTAVIO GLEISI LIGOU

No dia 22 de novembro de 2013, Otávio Azevedo havia enviado mensagem de celular para Castanheira informando que “a Gleisi acabou de ligar e disse que falou com você”.

Ao analisar a mensagem, a Polícia Federal ressalta que “quanto a 163 MS observa-se que a CCR foi vencedora do leilão referente ao trecho da BR 163 no Mato Grosso do Sul com deságio de 52,74%, sendo que cerca de 20 dias antes a Odebrecht foi vencedora da licitação da BR 163 no trecho do Mato Grosso com deságio de 52%”.

MENSAGEM OTAVIO GLEISI INTERPRETA

Rodovias. A Lava Jato investiga se o esquema de cartel e corrupção descoberto na Petrobrás foi espelhado em outros negócios do governo federal, como no setor elétrico e nos transportes, em especial nas concessões de rodovias, aeroportos e ferrovias.

As suspeitas envolvendo corrupção nestes contratos surgiram já no início das investigações da Lava Jato. “O que acontece na Petrobrás acontece no Brasil inteiro, nas rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrelétricas”, afirmou em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro o primeiro delator da operação, o ex-diretor de Abastecimento da estatal petrolífera Paulo Roberto Costa, em outubro de 2014.

O Relatório de Análise de Mídia Apreendida Nº 882/2015, da PF, foi anexado nesta segunda-feira, 11, ao inquérito da Andrade Gutierrez, que corre em Curitiba. Azevedo e outros executivos da empreiteira fecharam acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, em que confessaram ter pago propinas em contratos como as obras das usinas de Belo Monte, no Pará, de Angra 3, no Rio, no Complexo Petroquímico do Rio (Comperj), da Petrobrás, em em estádios da Copa.

No documento, a PF informa que “chama a atenção o fato de que nas três primeiras licitações a vencedora apresentou proposta com deságio semelhante, em torno de 52%.

MENSAGEM OTAVIO DESAGIO 52 RODOVIAS
COM A PALAVRA, A SENADORA GLEISI HOFFMANN

“Lamento a forma leviana da abordagem feita pela matéria. Enquanto ministra-chefe da Casa Civil, coordenei e acompanhei o processo de concessões de rodovias, aeroportos e portos através do Programa de Investimentos em Logística (PIL) do Governo Federal. Acompanhei todos os leilões. Ao final de cada leilão, liguei para todos os vencedores, agradecendo e parabenizando pelo vencimento da concessão.”

Senadora Gleisi Hoffmann

COM A PALAVRA, O ADVOGADO JULIANO BREDA, QUE REPRESENTA OTÁVIO AZEVEDO

“Em razão das recentes notícias sobre relatórios da Polícia Federal divulgadas na mídia, a defesa de Otávio Marques de Azevedo informa que todas as mensagens de seu celular são de conhecimento das autoridades e já foram objeto de questionamentos em depoimento prestado na Procuradoria Geral da República, no âmbito do acordo de colaboração que vem sendo rigorosamente cumprido.
Otávio Azevedo já prestou esclarecimentos sobre as circunstâncias das mensagens e reafirma o compromisso com o seu dever legal de dizer a verdade. Sempre que necessário, voltará a colaborar plenamente com as investigações no interesse da Justiça.
Juliano Breda, advogado de Otávio Azevedo.”

COM A PALAVRA, O GRUPO CCR

São Paulo, 12 de julho de 2016

NOTA À IMPRENSA

Em relação ao texto publicado pelo serviço Broadcast/Agência Estado “Após vitória em licitação, executivos da Andrade e da CCR citam felicitações de Gleisi e Borges”, divulgado em 12 de julho, o Grupo CCR presta os seguintes esclarecimentos citados abaixo.

O sucesso da 3ª Etapa de concessões de rodovias federais, da qual faz parte o trecho sul-mato-grossense da BR-163, foi comemorado pelo governo federal e pelo setor como indicação de retomada dos investimentos em infraestrutura rodoviária, sobretudo com disputas que resultaram em grande deságio. A celebração pelo bom resultado no leilão foi ainda maior por conta do cenário apresentado na licitação realizada anteriormente, referente à BR-262 (Belo Horizonte até Espírito Santo), também prevista na 3ª Etapa de concessões, que não registrou a participação de nenhuma empresa interessada.

Fartas análises e declarações de membros do governo federal, publicadas por todos os veículos de comunicação, demonstram a avaliação positiva do leilão sob a perspectiva de reinício do ciclo de investimentos em infraestrutura. Declarações positivas de ministros de Estado na ocasião não devem se configurar, portanto, em elemento para suposições infundadas.

Resultados positivos para uma companhia que tem como propósito estratégico prestação de serviço em infraestrutura são razões para comemorações, e isso é o que revela a troca de diálogo entre o diretor do Grupo CCR e o ex-presidente do Grupo Andrade Gutierrez.

A concessão do trecho sul-mato-grossense da BR-163 foi realizada em leilão público, ocorrido na sede da BM&FBovespa, em São Paulo, conforme a legislação vigente no país e sob as regras previstas no marco regulatório do setor. A confirmação do resultado foi feita pelos órgãos fiscalizadores.

Dentro das premissas de disciplina de capital e governança corporativa, reconhecidos pelo mercado de capitais brasileiro, o Grupo CCR apresentou a melhor proposta, com deságio de 52% sobre o preço teto fixado pela ANTT. A redução pela metade do preço original fixado no edital do leilão demonstra claramente que a concessão do trecho da BR-163 em Mato Grosso do Sul foi alvo de grande disputa, com a participação de outros cinco consórcios interessados.

O resultado trouxe para o Grupo CCR, maior companhia de prestação de serviços de infraestrutura do país, um projeto que envolve a duplicação de mais de 800 quilômetros de rodovia, algo que está mudando a logística de apoio ao agronegócio brasileiro.

Posteriormente à licitação, ocorreu imprevisível deterioração das condições macroeconômicas do País, decorrente do severo desajuste fiscal das contas públicas, com consequente elevação das taxas de inflação, retração do crédito e elevação dos juros, fatos que, aliados às licenças ambientais descontínuas e parciais, trouxeram significativo impacto ao projeto. Todavia, a CCR MSVia continua a implantar uma das maiores obras de infraestrutura demandadas para o escoamento das safras do agronegócio brasileiro e o Grupo CCR continua a trabalhar em seu plano de crescimento qualificado. Sempre mantendo como premissas a disciplina de capital, ética e transparência reconhecidas na gestão da companhia desde a sua fundação.

Grupo CCR

Tudo o que sabemos sobre:

operação Lava Jato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.