Yunes diz que Padilha não pode ‘se esconder’ e deve depor na Lava Jato

Yunes diz que Padilha não pode ‘se esconder’ e deve depor na Lava Jato

Amigo e ex-assessor especial de Temer afirmou que atuou como 'mula' do ministro da Casa Civil ao receber um 'envelope' do operador Lúcio Funaro

Valmar Hupsel Filho

25 de fevereiro de 2017 | 10h13

Michel Temer e José Yunes. FOTOS: ANDRÉ DUSEK E PAULO GIANDALIA/ESTADÃO

Michel Temer e José Yunes. FOTOS: ANDRÉ DUSEK E PAULO GIANDALIA/ESTADÃO

Depois de revelar que serviu de “mula” para intermediar a entrega de um “pacote” em nome do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, o advogado José Yunes afirmou que Padilha precisa depor aos investigadores da Operação Lava Jato para esclarecer o episódio. Yunes, no entanto, descartou que isso seja motivo para o afastamento do titular da Casa Civil.

“Ele tem que ser ouvido. Você não pode ficar se escondendo atrás da notícia porque isso gera muita especulação”, disse Yunes ao Estado neste sábado, 25.

Amigo e ex-assessor especial do presidente Michel Temer, Yunes disse que atuou como “mula involuntária” de Padilha ao receber um “envelope” do operador financeiro Lúcio Funaro.

No fim do ano passado, Yunes prestou depoimento à Procuradoria-Geral da República para apresentar sua versão sobre as afirmações do ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho, que, em delação premiada, afirmou ter recebido o endereço de seu escritório como indicação para a entrega de R$ 1 milhão. O valor seria, segundo Melo, parte da propina de R$ 10 milhões a ser repassada da construtora para o PMDB durante a campanha de 2014.

O depoimento foi revelado pela Veja na noite da última quinta-feira.

Yunes, que pediu demissão do cargo de assessor especial da Presidência logo após a revelação do conteúdo da delação de Melo, disse que já deu uma série de entrevistas para esclarecer o episódio. Ele se colocou à disposição, inclusive, para uma eventual acareação com os envolvidos.

O advogado sustenta que, em setembro de 2014, recebeu uma ligação de Padilha lhe pedindo para intermediar o recebimento de um documento em seu escritório, no bairro de Jardim Europa, em São Paulo. O “pacote”, segundo ele, lhe foi entregue em mãos por Funaro, apontado por investigadores da Lava Jato como operador do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Yunes afirmou desconhecer o conteúdo do “pacote”. Disse que apenas o recebeu e deixou no escritório. “Saí para almoçar e uma terceira pessoa passou lá para buscar a encomenda que foi deixada ali em nome de Funaro.”

Yunes afirmou ainda não saber o motivo do silêncio de Padilha, que não comentou publicamente o assunto. “Acho que ele tem que esclarecer, porque ele não tratou comigo de dinheiro nem nada. Foi a entrega de um documento e pronto”, disse o advogado.

O amigo de Temer afirmou não ter falado com o ministro da Casa Civil nos últimos dias. E, embora considere que o presidente deva estar “muito aborrecido com essa história”, disse não acreditar que o caso é motivo para a saída de Padilha do cargo.

“Eu acho que não cai. E não deveria cair, porque foi um episódio bobo”, disse. “Ele é um sujeito muito eficiente. Trabalha, é fiel e muito organizado. É muito útil para o presidente”, completou.

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