Pará transfere 30 líderes de facções criminosas após descobrir plano de fuga de 400 detentos

Pará transfere 30 líderes de facções criminosas após descobrir plano de fuga de 400 detentos

Segundo governo do Estado, uma evasão em massa articulada pelas lideranças estava programada para o sábado, 22; Moro repercutiu em seu perfil do Twitter que o deslocamento dos presos foi realizado pelo Departamento Penitenciário Nacional

Pepita Ortega

24 de junho de 2019 | 11h49

O Complexo Penitenciário de Santa Izabel. Foto : Thiago Gomes / Ascom Susipe / Agência Brasil

O Departamento Penitenciário Nacional (Depen), órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, transferiu na madrugada de sexta, 21, trinta detentos de presídios do Pará para unidades federais. A ação teve apoio da FAB e ocorreu a pedido do governo do Estado, após a descoberta de um plano de fuga em massa – envolveria ao menos 400 detentos do Complexo de Americano, em Santa Izabel do Pará.

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, destacou a ação em seu perfil no Twitter indicando que a transferência ‘desarticulou a organização criminosa e preveniu possível rebelião prisional’.

Segundo as informações divulgadas no site do governo do Estado, a fuga estava programada para o sábado, 22, e era articulada pelos 30 detentos transferidos, supostos líderes de facções criminosas.

O plano foi descoberto pela Polícia Civil e pela Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará, que identificaram e obstruíram um túnel de oito metros de profundidade e 40 de comprimento.

Em coletiva de imprensa, o governador Helder Barbalho (MDB) informou que a ação teria ‘repercussões em outras unidades prisionais, nas ruas e também em serviços e áreas públicas’.

Segundo informações divulgadas no site do governo do Estado, a fuga era articulada pelos 30 detentos transferidos, supostos líderes de facções criminosas. Foto: Akira Onuma / Susipe

O deslocamento dos supostos líderes seria parte de uma estratégia desenvolvida para que se evitasse episódio semelhante ao ocorrido no Ceará em janeiro, indicou o governador.

Em meio à crise de segurança pública no Estado, 23 presos ligados ao Comando Vermelho fugiram da Cadeia Pública de Pacoti.

Segundo Barbalho também foram tomadas medidas de saturação dentro do presídio.

As facções dos quais os detentos participam não foram informadas por uma questão de segurança das investigações que ainda estão em andamento, afirmou o governo.

Barbalho apontou, no entanto, durante entrevista, que os presos seriam líderes de ‘atuações envolvendo violências ostensivas no Estado e tráfico de drogas’.

Pará transfere 30 líderes de facções criminosas após descobrir plano de fuga de 400 detentos. Foto: Akira Onuma / Susipe

De acordo com o governo, as articulações dos detentos seriam uma resposta a uma portaria instituída no início de junho que impediu a entrada de alimentos nas unidades prisionais, fora as refeições servidas regularmente.

Barbalho indicou que a permissão facilitava visitas a burlarem os sistemas fiscalização, fazendo assim com que telefones celulares chegassem aos detentos. Ele afirmou ainda que processos de escaneamento foram reforçados no presídios.

As medidas teriam motivado ‘esta reação e esta tentativa de desestabilização do sistema carcerário paraense’, disse o governador.

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