Para reverter suspeição de Moro, núcleo duro da Lava Jato reproduz estratégia de Fachin e pede julgamento sobre a competência de Curitiba no plenário

Para reverter suspeição de Moro, núcleo duro da Lava Jato reproduz estratégia de Fachin e pede julgamento sobre a competência de Curitiba no plenário

Defesa dos procuradores argumenta que, caso decisão que mandou processos da Lava Jato contra Lula para Brasília seja mantida, discussão sobre a parcialidade do ex-juiz perde objeto

Rayssa Motta/São Paulo e Rafael Moraes Moura/Brasília

05 de abril de 2021 | 12h31

O núcleo duro da extinta força-tarefa da Operação Lava Jato deve enviar, ainda nesta segunda-feira, 5, um memorial ao Supremo Tribunal Federal (STF) defendendo que o plenário da Corte analise a decisão do ministro Edson Fachin que declarou a incompetência da Vara Federal de Curitiba para processar as acusações contra o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), anulando as condenações do petista nas ações do triplex do Guarujá e do sítio de Atibaia.

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Os advogados Marcelo Knopfelmacher e Felipe Locke Cavalcanti, que defendem os procuradores, defendem que os 11 ministros devem decidir sobre os recursos da Procuradoria Geral da República e da própria defesa de Lula para ‘evitar decisões divergentes e contraditórias’ das turmas em relação às deliberações plenário.

O movimento é uma manobra para retomar a estratégia inicial de Fachin, que ao anular as condenações de Lula queria dar como encerrada a discussão sobre a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro. O ministro acabou duplamente vencido na Segunda Turma: os colegas entenderam que a análise deveria ser retomada e, ao final do julgamento, formaram maioria para declarar Moro parcial no caso do triplex.

“Uma vez confirmada (se confirmada) a incompetência do Juízo da Vara de Curitiba, entende-se que ficará prejudicada a questão relativa à suspeição do Juízo, porque com tal reconhecimento o processo retorna à fase de recebimento da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, decidindo o Magistrado de primeiro grau se aproveita os atos instrutórios do processo ou não, inclusive prevenindo possível prescrição na esfera penal”, argumentam os advogados.

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Na outra ponta, a defesa de Lula tenta manter a análise dos processos do petista na Segunda Turma. Os advogados pedem que o colegiado reafirme sua competência para analisar os casos do petista. Como a questão de ordem não foi analisada no julgamento que declarou a suspeição de Moro, a defesa tentou outro caminho: enviou na semana passada um novo pedido no âmbito da reclamação que garantiu a Lula acesso às mensagens apreendidas na Operação Spoofing.

Para a defesa dos procuradores, a pretensão ‘desafia a autoridade do Plenário do STF, principalmente se considerado que a afetação ao Plenário pelo Relator é providência irrecorrível’. “Tenha-se presente também que foi a própria defesa técnica do ex- Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva que impetrou em novembro de 2020 o HC relativo à incompetência do Juízo (HC no 193.726), ou seja, depois de já iniciado o julgamento do HC da suspeição (HC no 164.493) e interrompido por pedido de vista, não lhe cabendo escolher qual matéria deve ser julgada antes ou depois”, argumentam.

Uma eventual reanálise do processo de declarou a suspeição de Moro pode se dar no âmbito do julgamento, previsto para a primeira quinzena de abril, em que o plenário do Supremo vai decidir se confirma ou não a decisão de Fachin que anulou as condenações impostas pela Lava Jato ao ex-presidente e reabilitou o petista a disputar as próximas eleições.

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