Para não deixar a vida em stand-by

Para não deixar a vida em stand-by

Cassio Grinberg*

20 de fevereiro de 2022 | 06h00

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

Com apenas 28 anos, Steve Jobs disse a um engenheiro da Apple: “preciso fazer o máximo de coisas que eu puder, o mais cedo possível, porque sinto que vou morrer jovem.”

Vivemos uma das épocas mais atípicas de nossas vidas. Não estou falando da pandemia em si, mas do fato de que, de repente, nos colocamos à espera de algum tipo de autorização mágica: alguém que venha e nos diga, ok, agora você já pode viajar, encontrar amigos, correr sem máscara, tomar um banho de mar, ir a uma festa, a uma partida de futebol.

Todos vamos morrer cedo, ou pelo menos cedo demais, principalmente aqueles de nós que consideram que nunca é tarde para começar algo. Mas não é apenas disso que estou falando. Estou falando da necessidade urgente de viver o aqui e o agora. E o aqui e agora de hoje é, felizmente, diferente do de ontem.

Enquanto a gente fica programando a hora ideal para fazer uma viagem, o turismo mundial já está bombando. Enquanto a gente se priva de ver os amigos, eles estão todos já se encontrando, e sentindo falta de vocês. Enquanto você só marca reuniões virtuais, a vida volta a acontecer dentro dos escritórios, a Bolsa está subindo, e basta um ou dois encontros presenciais para você lembrar como é diferente conversar olhando no olho.

Se a pandemia nos ensinou algo, é que a vida jamais pode ser colocada em Stand-by. Conheço muitas pessoas que usaram a pandemia como desculpa para ir devagar, mas conheço mais gente ainda que não ficou parado: montou empresa, trocou de emprego, comprou apartamento, mudou de consultório, namorou mais, fez mais esporte do que nunca. Me lembro de uma das melhores frases de Warren Buffet: “a melhor maneira de ir devagar é parar.”

Mas a hora não é de parar. Está na hora de retomar, mais do que nunca. Está na hora de investir, mais do que nunca. Está na hora de viver, mais do que nunca.

*Cassio Grinberg, sócio da Grinberg Consulting e autor do livro Desaprenda – como se abrir para o novo pode nos levar mais longe

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