Para Moro, decisão sobre prisões coloca Brasil em parâmetros internacionais

Para Moro, decisão sobre prisões coloca Brasil em parâmetros internacionais

Juiz da Lava Jato divulga nota afirmando que determinação do Supremo 'só merece elogios'

Mateus Coutinho e Fausto Macedo

18 de fevereiro de 2016 | 15h22

O juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato em primeira instância. Foto: Evaristo Sá/AFP

O juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato em primeira instância. Foto: Evaristo Sá/AFP

O juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Operação Lava Jato em primeira instância afirmou em nota divulgada nesta quinta-feira, 18, que a decisão do Supremo de determinar o cumprimento da pena dos condenados em 2ª Instância “reinsere o Brasil nos parâmetros sobre a matéria utilizados internacionalmente”.

O magistrado ainda reiterou que não há violação da presunção de inocência “já que a prisão opera somente após um julgamento condenatório, no qual todas as provas foram avaliadas, e ainda por um Tribunal de Apelação”. Moro disse que a decisão “só merece elogios” e reafirmou que ela fechou uma das “janelas da impunidade” no Brasil.

Em 2015, Moro sugeriu, inicialmente, em artigo publicado no Estadão, que a prisão do acusado de crimes contra a administração pública já pudesse ser executada após condenação em primeiro grau. Na ocasião, a proposta foi duramente criticada por advogados. Depois, a Associação dos Juízes Federais, com apoio de Moro, apresentou o projeto de lei 402/2015 – em tramitação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal -, em que prevê execução de pena em segundo grau.

Nesta quarta, 17, a decisão do Supremo, por maioria, ocorreu no julgamento de habeas corpus ajuizado por Márcio Rodrigues Dantas (HC 126292), que recorreu ao STF contra decisão do presidente do Superior Tribunal de Justiça que manteve sua prisão, estabelecida pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (segunda instância). A defesa de Dantas entendia que a prisão só poderia acontecer ao final do julgamento do processo (trânsito em julgado), mas teve o argumento afastado.

Os ministros Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes acompanharam o relator, Teori Zavascki, que indeferiu o pedido. A divergência foi aberta pela ministra Rosa Weber e acompanhada pelos ministros Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Ricardo Lewandowski, presidente da Corte.

VEJA A ÍNTEGRA DA NOTA DE MORO

“O Egrégio Supremo Tribunal Federal, com respeito a minoria vencida, tomou uma decisão essencial para o resgate da efetividade do processo penal brasileiro. No processo penal, assim como no cível, há partes, o acusado e a vítima de um crime. Ambos têm direito a uma resposta em um prazo razoável. O inocente para ser absolvido. O culpado para ser condenado. Não há violação da presunção de inocência já que a prisão opera somente após um julgamento condenatório, no qual todas as provas foram avaliadas, e ainda por um Tribunal de Apelação. A decisão do Supremo só merece elogios e reinsere o Brasil nos parâmetros sobre a matéria utilizados internacionalmente.” “A decisao do Supremo fechou uma das janelas da impunidade no processo penal brasileiro”.

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