Para juízes federais, MP da Leniência pode trazer ‘severos prejuízos’ à Lava Jato

Para juízes federais, MP da Leniência pode trazer ‘severos prejuízos’ à Lava Jato

Em nota divulgada nesta tarde, presidente da Associação de Juízes Federais Antônio César Bochenek faz apelo a parlamentares para rejeitar proposta sob relatoria do petista Paulo Teixeira

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo

10 de maio de 2016 | 14h00

Antônio César Bochenek. Foto: Ajufe

Antônio César Bochenek. Foto: Ajufe

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), divulgou nota nesta terça-feira, 10, na qual afirma que a Medida Provisória 703/2015, conhecida como MP da Leniência, pode “trazer severos prejuízos às investigações de desvio de dinheiro público” como a Operação Lava Jato e pede aos deputados que rejeitem a proposta e apoiem um projeto de lei sobre o tema defendido por juristas.

A crítica dos magistrados se soma à já feita por investigadores da Lava Jato à proposta da MP da Leniência, que altera as regras para os acordos de leniência e é relatada pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP). Para os juízes federais, a proposta em trâmite na Câmara “diminui a participação do Ministério Público nos acordos de leniência, coloca embargos no trabalho dos órgãos de controle e no compartilhamento de provas obtidas nos acordos para as apurações criminais e não prevê a homologação judicial dos acordos de leniência”, segue a nota assinada pelo presidente da Ajufe Antônio César Bochenek.

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Em contrapartida, os magistrados federais apoiam o Projeto de Lei n. 5208/2016, apresentado pelo Deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que busca modificar a aplicação dos acordos de leniência e ser um contraponto à MP 703/2015.

“Diante deste quadro, um grupo de juristas, professores, juízes federais, promotores de justiça, advogados, auditores externos do TCU, ministros e conselheiros de tribunais de contas e outros membros da sociedade civil, após a realização de seminários e intensas discussões, elaboraram o texto de um projeto de lei com a sua justificativa (PL n. 5208/2016), que visa garantir, a um só tempo, o funcionamento e a garantia de emprego nas empresas atingidas pelos acordos de leniência, e também que haja segurança jurídica em tais avenças, de modo que seja prevista a homologação judicial dos acordos de leniência”, segue a nota da Ajufe.

A entidade de juízes federais afirma ainda que vai atuar para aperfeiçoar o Projeto de Lei 5208 “que traz um notável avanço para os acordos de leniência e cria um Fundo Social, que visa incentivar a educação, cultura, esporte, meio ambiente, etc., a partir da arrecadação de multas” e faz um apelo aos parlamentares para aprovar o PL.

VEJA A ÍNTEGRA DA NOTA:

“Entidade apoia o PL 5208/2016, elaborado por um grupo de juristas, professores, juízes federais, promotores de justiça, advogados, auditores do TCU, integrantes da corte e membros da sociedade civil

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), entidade nacional de representação dos juízes federais, em cumprimento do dever institucional de colaborar com o Parlamento e com a Sociedade Brasileira, vem manifestar apoio ao Projeto de Lei n. 5208/2016, apresentado pelo Deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que visa modificar a sistemática dos acordos de leniência, e busca ser um contraponto à Medida Provisória n. 703/2015, que altera a Lei n. 12.486/2013 e outros dispositivos legais.

O texto da MP da Leniência (MP n. 703/2015), da forma como está posto, bem como o relatório do Deputado Paulo Teixeira (PT-SP), podem trazer severos prejuízos às investigações de desvio de dinheiro público, como, por exemplo, no caso da Operação Lava Jato, pois diminui a participação do Ministério Público nos acordos de leniência, coloca embargos no trabalho dos órgãos de controle e no compartilhamento de provas obtidas nos acordos para as apurações criminais e não prevê a homologação judicial dos acordos de leniência.

Diante deste quadro, um grupo de juristas, professores, juízes federais, promotores de justiça, advogados, auditores externos do TCU, ministros e conselheiros de tribunais de contas e outros membros da sociedade civil, após a realização de seminários e intensas discussões, elaboraram o

Documento

de um projeto de lei com a sua justificativa (PL n. 5208/2016), que visa garantir, a um só tempo, o funcionamento e a garantia de emprego nas empresas atingidas pelos acordos de leniência, e também que haja segurança jurídica em tais avenças, de modo que seja prevista a homologação judicial dos acordos de leniência.

A Ajufe trabalhará, junto ao Congresso Nacional, para o aperfeiçoamento e a aprovação do PL n. 5208/2016, que traz um notável avanço para os acordos de leniência e cria um Fundo Social, que visa incentivar a educação, cultura, esporte, meio ambiente, etc., a partir da arrecadação de multas, buscando compensar a sociedade pelos desvios causados pela corrupção.

Por essas razões, a Ajufe invoca o elevado espírito público dos Senhores(as) Deputados(as) Federais e propugna pela rejeição da MP 703/2015 e pela aprovação, após os devidos debates, do Projeto de Lei n. 5208/2016.”