Para juiz, principal prejudicado da Lava Jato é ‘o cidadão brasileiro’

Sérgio Moro disse que culpar a PF, a Procuradoria e a Justiça Federal pela situação da Petrobrás é 'uma estranha inversão de valores'

Redação

27 de março de 2015 | 13h33

Por Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

No despacho em que decretou a prisão preventiva do lobista Guilherme Esteves, apontado como operador de propina na Petrobrás e na empresa SeteBrasil, o juiz federal Sérgio Moro, que conduz todas as ações penais da Operação Lava Jato, afirmou que o principal prejudicado com a corrupção na estatal petrolífera é ‘o cidadão brasileiro’. Ele também disse que culpar a Polícia Federal, a Procuradoria da República e a Justiça Federal pela situação da Petrobrás é ‘uma estranha inversão de valores’.

Juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato. Foto: JF. Diório/Estadão

Juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato. Foto: JF. Diório/Estadão

Parlamentares citados na Lava Jato têm afirmado que a abertura de investigações por parte do Supremo Tribunal Federal, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é de cunho político. No início do mês, o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusou Janot de adotar um critério político para pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de uma investigação contra ele. Também investigado na Operação Lava Jato, o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) protocolou na quinta-feira, 26, dois pedidos para que o Ministério Público envie informações sobre passagens e diárias dos integrantes do órgão ao Senado.

“O prejudicado principal, em dimensão de inviável cálculo, o cidadão brasileiro, já que prejudicados parcialmente os investimentos da empresa, com reflexos no crescimento econômico”, alerta Moro. “Há, é certo, quem prefira culpar a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e até mesmo este Juízo pela situação atual da Petrobrás, em uma estranha inversão de valores. Entretanto, o policial que descobre o cadáver não se torna culpado pelo homicídio e a responsabilidade pelos imensos danos sofridos pela Petrobrás e pela economia brasileira só pode recair sobre os criminosos, os corruptos e corruptores, incluindo os intermediários.”

Moro diz ter ‘certeza de que a Petrobrás irá reerguer-se e que conseguirá desenvolver seus negócios com mais eficiência e economia’, uma vez que será ‘reprimido o custo decorrente do crime’.

As maiores empreiteiras do País são acusadas de terem formado cartel para fraudar licitações da Petrobrás. O acordo seria feito mediante ajuste e pagamentos de propinas a dirigentes da estatal petrolífera calculados em porcentual sobre o contrato.

“Ficando apenas nos danos provocados à Petrobrás em decorrência dos malfeitos, teve ela severamente comprometida sua capacidade de investimento, sua credibilidade e até mesmo o seu valor acionário, como vem sendo divulgado diuturnamente na imprensa”, afirma Moro. “O mesmo tem ocorrido com a SeteBrasil, ameaçada de bancarrota, o que coloca em risco à exploração do pré-sal e as expectativas de desenvolvimento da indústria naval brasileira.”

A SeteBrasil ganhou a licitação e negociou 21 contratos de construção de sondas com vários estaleiros, sendo seis sondas negociadas com o Estaleiro Jurong. O estaleiro é uma subsidiária do Grupo SembCorp Marine, companhia de capital aberto de Cingapura e grande fornecedora internacional de plataformas e sondas para exploração de petróleo.

Segundo a Justiça, cada estaleiro tinha o seu operador responsável pelo pagamento de propinas. Guilherme Esteves de Jesus seria o operador do Jurong.

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