Para Gilmar Mendes, contas do Executivo eram avaliadas em “espécie de faz de contas”

Para Gilmar Mendes, contas do Executivo eram avaliadas em “espécie de faz de contas”

"Éramos muito corajosos para cassarmos governadores de Roraima ou de Rondônia, mas éramos cuidados com Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais", disse em debate

Ana Fernandes e Julia Affonso

23 Novembro 2015 | 14h11

Foto: Filipe Araujo/Estadão

Foto: Filipe Araujo/Estadão

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes afirmou nesta segunda-feira, 23, que, até pouco tempo atrás, o tribunal agia com “certa assimetria”. “Éramos muito corajosos para cassarmos governadores de Roraima ou de Rondônia, mas éramos cuidados com Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais”, disse em debate promovido pelo Lide, Grupo de Líderes Empresariais.

O ministro disse que as contas do Executivo eram avaliadas em “espécie de faz de contas”, pois, entre outras razões, o Judiciário evitava se envolver com questões “politicamente muito densas”. Para ele, os tribunais chegavam a aplicar “multas ingênuas”, sem impacto efetivo para coibir práticas eleitorais ilegais.

Gilmar Mendes participou de debate em São Paulo. Foto: Julia Affonso/Estadão

Gilmar Mendes participou de debate em São Paulo. Foto: Julia Affonso/Estadão

Gilmar Mendes elogiou a iniciativa do STF de abrir o processo referente às contas da campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff. Destacou ser um processo inédito no País, que avaliará a suspeita de “doação propina”, abuso de poder econômico e político.

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O ministro também criticou a reeleição. Disse que foi algo que só pôde ser verificado após alguns anos, mas que a reeleição permitiu “a consolidação de determinadas práticas”, com dificuldade de verificação e controle no tempo adequado.

Gilmar Mendes afirmou estar convencido de não ter havido qualquer tipo de fraude nas urnas eletrônicas na reeleição da presidente Dilma Rousseff. “Não houve fraude”, afirmou.

Apesar da fala, Mendes disse que o modelo eletrônico deveria ser passível de verificação e que “há um esforço nesse sentido”. O Congresso aprovou recentemente que as urnas terão de ter um mecanismo para imprimir os votos – em uma medida com custo estimado em R$ 1,8 bilhão.

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