Para executivo da OAS, doleiro da Lava Jato era ‘empresário’

José Ricardo Nogueira Breghirolli, réu por corrupção ativa e lavagem de dinheiro, afirma à Justiça, por escrito, que 'Beto' (Alberto Youssef) se apresentou como 'empresário de diversos segmentos'

Redação

09 de maio de 2015 | 06h00

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

O empresário José Ricardo Nogueira Breghirolli, superintendente administrativo da empreiteira OAS e denunciado pelo Ministério Público Federal ficou em silêncio diante do juiz Sérgio Moro nesta sexta feira,8. Por orientação de seus advogados, Breghirolli – superintendente administrativo da OAS – ele não quis responder a nenhuma indagação do magistrado da Lava Jato. Mas, antes do início da audiência em que ficou calado o executivo da empreiteira sob suspeita de ter integrado o cartel que tomou posse de contratos bilionários da Petrobrás entregou uma petição por escrito em que apresenta sua versão.

Os esclarecimentos de Breghirolli seguem a mesma linha dos outros executivos da OAS de que não houve corrupção em obras da empreiteira nas refinarias da Petrobrás. “Não sei dizer se houve propina nos contratos da RNEST (Abreu e Lima), REPAR (Paraná) ou qualquer outra obra da empresa, até porque não era minha função fazer qualquer tipo de ajuste, promessa ou pagamento de valores para este fim”, afirma.

VEJA AUDIÊNCIA DE JOSÉ BREGHIROLLI NA JUSTIÇA FEDERAL

“Na minha ótica todas as licitações vencidas pela empresa estavam dentro da legalidade”, afirma Breghirolli, por escrito.

Ele destaca que “nunca teve qualquer relação institucional com qualquer agente público, seja para doações eleitorais ou pagamento de qualquer tipo de valor”. O documento, dividido em 17 pontos, é assinado pelos advogados da cúpula da OAS, Roberto Telhada e Edward de Carvalho, dois experientes criminalistas.

Breghirolli relata como conheceu o doleiro Alberto Youssef, peça central da Lava Jato que, em delação premiada, afirmou que direcionou propinas, por orientação do executivo da OAS, para o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. O empresário afirma.

“Fui apresentado na OAS a um empresário de apelido ‘Beto’ em 2013, o qual posteriormente vim saber que se tratava da pessoa de Alberto Youssef, o qual se apresentou como empresário de diversos segmentos, dentre eles a Marsans, que sempre acreditei se tratar de negócios lícitos.”

“Nunca tive contato com agentes públicos ou políticos, não participei de qualquer reunião com funcionários da Petrobrás, nem sequer conhecendo-os. Nunca visitei nenhum estabelecimento ou escritório da Petrobrás”, afirma Breghirolli. “Nunca participei de qualquer ajuste ou combinação de preço com qualquer empresa para favorecer a OAS em obras públicas ou privadas, seja ela Petrobrás ou não.”

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