Para além da tela: um olhar humano sobre a tecnologia

Para além da tela: um olhar humano sobre a tecnologia

Felipe Lima*

11 de setembro de 2020 | 04h00

Felipe Lima. Foto: Divulgação

Quando fui chamado para liderar o time de desenvolvimento de software de uma startup de marketing de influência, enxerguei ali uma oportunidade que sempre busquei. Teria a chance de não apenas desenvolver uma metodologia inteligente, mas também uma solução prática para um negócio inovador, que tinha como objetivo conectar criadores de conteúdo e marcas e, claro,  transformar a indústria da comunicação.

A tecnologia é sim uma grande aliada e tem um papel fundamental como facilitador de processos. Ela é a responsável por criar um ecossistema que une todas as pontas, porém o grande desafio como CTO de uma martech, startup de marketing, é não permitir que o fator humano seja deixado de lado. Assim como estamos em constante evolução, a tecnologia deve funcionar também como um ser vivo e estar em contínua mudança, passando por atualizações que respondam às necessidades das pessoas que com ela interagem.

Muito do nosso trabalho como desenvolvedor é o de observação, testes e feedbacks. Mais do que dominar a tela preta e as mais variadas linguagens de programação, o profissional de tecnologia do futuro terá que absorver habilidades de observação, escuta ativa e interpretação comportamental. Digo isso, pois desenvolvemos ferramentas e soluções para pessoas, e dessa forma, é preciso ter uma compreensão real de como os usuários pensam, agem e consomem. Sem isso, não há produto final que seja verdadeiramente eficaz.

De acordo com um estudo da consultoria McKinsey, mais de 800 milhões de trabalhadores serão substituídos por robôs. Sabemos que a tecnologia trará a automação para muitos processos que hoje exigem a mão de obra humana, porém não há software e programa que substitua habilidades essencialmente humanas como as que mencionei.

Outra pesquisa realizada pela Viacom* em 2019, que ouviu jovens de 13 a 25 anos, mostrou que essa geração associa conceitos como tecnologia (89%), influência social (78%) e colaboração (74%) como sinônimos de poder no futuro. Nesse sentido, acredito que isso reforça o caráter potencializador da tecnologia. Vejo diariamente em meu trabalho provas do poder que ela tem de amplificar a criatividade, as conexões e a comunicação das pessoas.

É indiscutível a importância crescente da tecnologia tanto para o mercado, quanto em nosso dia a dia. As empresas irão buscar cada vez mais desenvolver ferramentas inteligentes, capazes de solucionar as necessidades diárias de pessoas e corporações. Enquanto profissional dessa área, é nosso dever buscar incessantemente caminhos criativos que automatizem processos e encurtem distâncias, tornando nossa vida, cada vez mais agitada, em uma rotina mais simples e prática. Porém, serei sempre um defensor de que, no fim do dia, a tecnologia seja vista sempre como potencializadora da criatividade e das conexões humanas, e nunca uma substituta delas.

*Felipe Lima é Chief Technology Officer na Squid e especialista em arquitetura de software.

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