Pandemias e cidades inteligentes têm necessidades convergentes

Pandemias e cidades inteligentes têm necessidades convergentes

Flávio Leal Maranhão e Angelo Sebastião Zanini*

21 de abril de 2020 | 07h00

Angelo Sebastião Zanini e Flávio Leal Maranhão. FOTO: DIVULGAÇÃO

A pandemia de coronavírus, e seus dolorosos impactos já conhecidos, mostrou a importância que a ciência tem para a sociedade no apoio ao entendimento e resolução de problemas. Com esse desafio global, as diferentes áreas de conhecimento aceleraram suas pesquisas e as descobertas são as nossas esperanças e já estão aplicadas em nossas rotinas.

As áreas médicas buscam protocolos terapêuticos mais assertivos; as engenharias aprofundaram os conhecimentos em logística para evitar desabastecimentos, em inteligência artificial para acelerar diagnósticos e no desenvolvimento de ventiladores para as UTIs; as áreas de tecnologia aperfeiçoam sistemas de comunicação que permitem aproximar as pessoas e os profissionais, entre tantas outras.

Universalizar os testes na população tem se mostrado como uma ferramenta fundamental na tratativa da pandemia, pois, só assim, conseguiremos ajustar os modelos matemáticos de propagação do vírus, destinar tempos e recursos financeiros nas alternativas de cura mais promissoras e identificar o momento mais seguro para retorno à via normal.

Aqui a principal convergência entre a pandemia e as cidades Inteligentes: dados.

A gestão moderna das cidades também fundamenta o seu processo decisório na coleta e processamento contínuo de dados acerca da qualidade dos serviços prestados aos munícipes e da infraestrutura urbana, permitindo equilibrar a disponibilidade de recursos e as políticas dos gestores públicos às prioridades que os dados revelam.

A cidade de São Paulo, por exemplo, já tem iniciativas de gestão pública baseada em análise de dados em tempo real em diferentes frentes, com destaque para o sistema de monitoramento contínuo da irregularidade superficial do asfalto e da fiscalização da qualidade da iluminação pública.

Os resultados positivos já podem ser sentidos nas vias de maior circulação, que passa por um intenso processo de recapeamento e substituição por lâmpadas mais eficientes de LED. Percebe-se, agora, uma espalhamento desse programa para as vias de bairro, utilizando como apenas critérios técnicos para suas escolha e precedida de diagnósticos fundamentados.

Só com o tratamento sério e ágil dos dados conseguiremos amenizar os impactos da pandemia. O mesmo se aplica às ações de racionalização de aplicação de recursos públicos em cidades inteligentes quanto às ações para melhoria de infraestrutura urbana.

Temos muito a fazer: vamos aos dados!

*Flávio Leal Maranhão, professor da USP; Angelo Sebastião Zanini, professor do Instituto Mauá de Tecnologia

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