Pandemia impulsiona modelo híbrido de trabalho e negócios ligados à tecnologia 

Pandemia impulsiona modelo híbrido de trabalho e negócios ligados à tecnologia 

João Marcos Colussi e Vilma Kutomi*

03 de agosto de 2020 | 11h00

João Marcos Colussi e Vilma Kutomi. Fotos: Divulgação

O isolamento social, provocado pela pandemia da covid-19, direcionou os negócios para o ambiente digital no país e no mundo. As empresas, em geral, precisaram adaptar suas atividades para sobreviver em meio a uma nova realidade de trabalho remoto. E, ao que tudo indica, essas mudanças vieram para ficar. 

A tendência é que prevaleça o modelo híbrido de trabalho, que pressupõe um mix de atividades presenciais e virtuais. Estudo recente do professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Miceli, aponta que o home office se mostrou efetivo durante a pandemia e que deve crescer 30% após o período de isolamento social. No entanto, embora a crise tenha trazido inegáveis avanços tecnológicos que devem ser incorporados ao dia a dia das companhias, o contato presencial não será dispensado, tendo em vista que a interação física é um fator importante para reforçar relacionamentos e impulsionar negócios. 

No mercado jurídico, não será diferente. A nova realidade transformou o dia a dia dos escritórios de advocacia, até então, acostumados a focar, principalmente, na presença física. No entanto, verdade é que a tecnologia agilizou os contatos e facilitou a realização de reuniões, sem entraves cotidianos, como dificuldades de deslocamento provocadas pelo trânsito nas grandes cidades. Os eventos virtuais, como lives e webinars, também tomaram conta da internet, como alternativa para manter a interação com clientes. As sessões virtuais foram adotadas até por órgãos reguladores e tribunais, diante da nova necessidade imposta. 

Entretanto, é importante lembrar que o relacionamento entre clientes e advogados é baseado em confiança e, neste aspecto, o contato pessoal é muito relevante, seja para tomada de decisão ou para algum procedimento específico que exija a presença física. Os recursos digitais não substituem o face to face – mas são complementares. 

Da mesma forma, outros setores da economia foram impulsionados pelo uso da tecnologia e, consequentemente, conseguiram se adaptar melhor diante do cenário de crise. Estes tendem a “sair na frente” e ganhar ainda mais vantagem competitiva em seus negócios no pós-pandemia. Segundo economistas, esse cenário deve favorecer o desenvolvimento de regiões que concentram polos industriais e tecnológicos, atraindo novas empresas e investimentos. 

O Mattos Filho é um exemplo de instituição que aposta nestas duas tendências: modelo híbrido de trabalho e crescimento de polos industriais e tecnológicos, que constituem importantes centros econômicos do país. O escritório acaba de inaugurar uma unidade em Campinas, conhecida como “Vale do Silício” brasileiro, e oferecerá, após a pandemia, atendimento virtual e presencial, de acordo com a necessidade do cliente. É o “novo normal” se concretizando no mercado jurídico, a exemplo de outras grandes empresas que também se adaptaram bem às mudanças. 

Além de concentrar grande número de multinacionais, a Região Metropolitana de Campinas abriga um polo desenvolvedor de tecnologia digital, do agronegócio agregado a soluções tecnológicas de controle de produção, de otimização da produtividade, e da indústria brasileira em geral, com destaque significativo para o setor automotivo. Possui, ainda, diversos centros de educação de nível internacional, focados no desenvolvimento de produtos de alta tecnologia, gerando um importante ambiente para a proliferação de novas indústrias e serviços de ponta que se inserem, de maneira estratégica, na economia nacional e internacional. Agregue-se a este ambiente a privilegiada infraestrutura logística que faz com que Campinas e região sejam um hub em termos de transporte nacional e internacional. O aeroporto de Viracopos, por exemplo, transportou mais de 10,5 milhões de passageiros transportados, em 2019, sendo o segundo principal aeroporto de transporte de cargas no Brasil, com 18% do total transportado no país.

Por fim, ao analisar essas tendências, percebemos que o avanço da tecnologia digital pode contribuir também para acelerar, no país, um movimento que é tendência mundial: a descentralização de negócios para além das capitais – prenúncio de um futuro promissor para a retomada da economia, na qual regiões com maior aptidão para o desenvolvimento tecnológico serão destaque. Assim como as empresas mais resilientes tendem a se fortalecer cada vez mais. 

*João Marcos Colussi e Vilma Kutomi são sócios do escritório Mattos Filho

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