Pandemia foi um ‘castigo’ e governo ‘fez o que pôde’, diz Bolsonaro

Pandemia foi um ‘castigo’ e governo ‘fez o que pôde’, diz Bolsonaro

Em tom elevado durante solenidade no Palácio do Planalto, o presidente da República enfatizou que acredita nas instituições e não teme 'absolutamente nada'

Eduardo Rodrigues/ BRASÍLIA

12 de maio de 2021 | 19h47

O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Gabriela Biló/ Estadão

No dia em que os ânimos se acirraram na CPI da Covid com o depoimento do ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten, o presidente Jair Bolsonaro usou um evento com agenda ambiental no Palácio do Planalto para alegar que o governo “fez o que pôde” na pandemia e insinuou que irá resistir a qualquer tentativa de retirá-lo do cargo. O Palácio do Planalto tentou sem sucesso impedir a instalação da CPI, que tem dissecado a atuação do governo federal no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

“A pandemia realmente foi um castigo para o mundo todo e o governo fez o que pôde. Os que não fizeram nada agora querem atrapalhar o governo”, afirmou o chefe do Executivo, em evento de assinatura do protocolo de intenções da Caixa para adesão ao programa “Adote Um Parque” do governo federal.

Em tom elevado, Bolsonaro enfatizou que acredita nas instituições e não teme “absolutamente nada”. “Deixo bem claro, só Deus me tira daqui. Não queremos desafiar ninguém, respeito os demais, mas vão nos respeitar”, bradou. “Nunca tiveram da minha parte uma só sugestão, proposta, palavra ou ato para censurar quem quer que seja. Somos um País livre e os direitos fundamentais são para ser respeitados”, concluiu.

Voto. Sem apresentar ainda qualquer prova sobre suas acusações de fraudes nas eleições passadas, Bolsonaro voltou a insinuar nesta quarta-feira problemas em pleitos anteriores para defender a adoção do voto impresso a partir da disputa de 2022.

“Esse novo Parlamento que está aí já é melhor que o anterior, e tenho certeza que nas urnas de 2022, com voto auditável aprovado por vocês, não teremos mais dúvidas na cabeça de qualquer cidadão se o processo foi conduzido com lisura ou não”, afirmou. “Se o Parlamento promulgar, teremos voto impresso em 2022. Ninguém passará por cima da decisão do Parlamento brasileiro. Chega de sermos atropelados”, completou, em tom exaltado, durante cerimônia no Palácio do Planalto.

O voto impresso já foi implantado em caráter experimental nas eleições presidenciais de 2002 — e acabou reprovado pelo TSE. Naquele ano, para testar o sistema, a medida foi adotada em 150 municípios, atingindo 6,18% do eleitorado.

“Sua introdução no processo de votação nada agregou em termos de segurança ou transparência. Por outro lado, criou problemas”, apontou um relatório do TSE. O tribunal concluiu que, nas seções com voto impresso, foram maiores o tamanho das filas e o percentual das urnas que apresentaram defeitos, além das falhas verificadas apenas nas impressoras.

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