Pandemia escancarou a importância das parcerias

Pandemia escancarou a importância das parcerias

Tati Oliva*

29 de maio de 2021 | 08h00

Tati Oliva. FOTO: DIVULGAÇÃO

O futuro pertence a quem sabe fazer parcerias. Na economia, essa tendência já é bastante clara. A era digital criou mercados inteiros baseados no compartilhamento e na colaboração, com aplicativos e plataformas virtuais que nos permitem desde dividir uma carona até trocar uma peça de roupa que não usamos mais. Porém, os últimos meses vêm mostrando que, para muito além do universo empresarial, a parceria é uma forma de interação cada vez mais presente e necessária em todas as esferas da sociedade.

Parceria só existe se há ganho mútuo. Somos parceiros quando oferecemos nosso melhor e recebemos em troca o melhor dos outros. É por esse mecanismo, tão óbvio quanto subestimado, que conseguimos promover grandes mudanças estruturais. Acredito que as empresas podem se beneficiar quando coordenam vendas ou ações de marketing, então, por que não expandir essa lógica para o maior número possível de interações?

Relações positivas entre um político e um eleitor, entre uma ONG e um doador, entre um prestador de serviço e um contratante, entre um chefe e um colaborador, entre amigos ou familiares, são também formas de parceria. Essa é a essência do viver em sociedade – o que, hoje, está ainda mais evidente.

Desde 2020, com a chegada da pandemia, o mundo passa por um momento incrivelmente difícil. Mesmo assim, em meio a uma crise sem precedentes, assistimos a exemplos impressionantes de solidariedade. Quebramos recordes de doações, graças à iniciativa privada, em parte pelas pessoas comuns que se comoveram com o sofrimento do próximo. Com isso, parcela expressiva da população mais carente pôde ter acesso a comida, remédios, roupas, máscaras.

Isso é parceria. Uma doação, por exemplo, embora motivada por altruísmo, resulta também em benefício para o próprio doador, pois contribui para a saúde da sociedade inteira. Quando se pratica um ato solidário, não há vencedores e perdedores. Ganhamos todos, coletivamente.

Precisamos agora garantir que essa lição, reforçada de maneira tão dura pela pandemia, não seja esquecida jamais. Gosto de dizer que o olhar parceiro precisa ser exercitado, como um músculo. Sem treino constante, atrofiamos essa nossa capacidade de enxergar oportunidades de produzir ganho mútuo nas mais diversas situações.

Reflita sobre como aproveitar melhor suas várias interações sociais. Quais talentos e habilidades poderíamos colocar à disposição de amigos, colegas de trabalho, funcionários, prestadores de serviço e assim por diante, em troca daquilo de único que essas pessoas têm a nos oferecer? É preciso exercitar cada vez mais esse olhar. Só assim conseguiremos enxergar o pleno potencial de cada interação.

Dizem que o ser humano é um “animal social”. Levando em conta o que vimos nos últimos meses, eu arriscaria ir um pouco além: somos, acima de tudo, criaturas parceiras.

*Tati Oliva, fundadora da Cross Networking

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.