Pandemia de coronavírus também causa impacto no segmento da engenharia

Pandemia de coronavírus também causa impacto no segmento da engenharia

Flávio Leal Maranhão, Angelo Sebastião Zanini e Vitor Levy Castex Aly*

05 de julho de 2020 | 09h00

Angelo Sebastião Zanini e Flávio Leal Maranhão. FOTO: DIVULGAÇÃO

A construção civil foi um dos setores fortemente afetados pelas consequências da pandemia de Coronavírus. Toda a cadeia produtiva foi impactada e os primeiros indicadores setoriais disponíveis já mostram quedas importantes na venda de cimento e cerâmicas de revestimento, no lançamento de apartamentos, na contratação de financiamentos e tantos outros, mesmo com os canteiros de obras e as lojas de materiais de construção operando na maior parte do país.

A velocidade dos acontecimentos dificulta uma plena compreensão dos seus impactos, mas há indícios de que influenciarão os novos produtos e os processos construtivos.

O home office foi eficiente e impactará na necessidade de edifícios de escritório e intensificará a demanda por espaços dedicados ao trabalho nas residências. O medo de aglomerações nos transportes públicos poderá sobrecarregar a infraestrutura viária das cidades com o aumento dos deslocamentos individuais. A redução das viagens de passeio e de negócios obrigará a ajustes nos modelos de receitas e riscos dos projetos de PPP como aeroportos e rodovias. Poderíamos inferir sobre diversas outras situações, mas…

No ensino da engenharia, por sua vez, os impactos já podem ser considerados certos e transformadores. O distanciamento social consolidou o ensino a distância e escancarou a necessidade de aprimoramento das ferramentas computacionais usadas nas escolas. A simples virtualização da sala de aula não se mostrou suficiente para a transmissão das necessárias competências aos novos profissionais. Foram aceitas pela comunidades acadêmicas por representarem o “mal menor” diante da situação vivenciada.

Um caminho promissor e que já vem sendo trilhado por algumas categorias fundamenta-se no desenvolvimento de ‘games’ em que os estudantes podem simular situações problema e avaliar os impactos das suas escolhas. É o caso de muitas engenharias em que circuitos elétricos, motores e até layout de fábricas são montadas por software; ou mesmo na economia e os ‘games’ do mercado de ações.

Na caso da construção civil as coisas ainda engatinham. A gamificação possibilitaria que os estudantes se transformassem incorporadores e vivenciassem as difíceis etapas necessárias para aprovação de um empreendimento; ou um construtor, na avaliação dos impactos nos custos e cronogramas causados por um período mais chuvoso do que o esperado.

Trata-se de um processo transformador que necessita ser harmonicamente liderado pelas diferentes entidades de classe e o nosso Ministério da Educação.

Não pode ser encarado, no entanto, apenas como um mecanismo para redução de custos das escolas, da substituição das necessárias aulas práticas e da minimização do contato mestre-aprendiz, pois os resultados já são conhecidos e insatisfatórios.

*Flávio Leal Maranhão, professor da USP; Angelo Sebastião Zanini, professor do Instituto Mauá de Tecnologia; Vitor Levy Castex Aly, professor do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP

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