Pandemia acelera inclusão da América Latina na rota da API Economy

Pandemia acelera inclusão da América Latina na rota da API Economy

Diogo Lupinari*

18 de dezembro de 2020 | 04h00

Diogo Lupinari. FOTO: DIVULGAÇÃO

Assunto relegado a segundo plano em grande parte das empresas na América Latina, a transformação digital precisou ser feita à força a partir de março de 2020. A pandemia de covid-19 pegou os empresários da região desprevenidos: eles precisaram levar seus negócios off-line para o mundo on-line ao mesmo tempo que tentavam entender essas soluções na prática. Entretanto, se é diante de grandes crises que podemos encontrar boas oportunidades, as organizações latino-americanas têm uma chance de ouro para finalmente se adequarem a uma tendência que está mudando o dia a dia corporativo: a API Economy.

O termo da moda refere-se à capacidade que as APIs têm em influenciar na lucratividade do negócio – seja transformando-as em produtos a serem comercializados, seja como elemento essencial para repensar modelos de negócios. Basta olharmos em volta para analisarmos o impacto das aplicações em nossa sociedade. Se hoje conseguimos pedir transporte com táxis e carros compartilhados em nossos smartphones, realizar transações financeiras sem sair de casa e fazer compras pela web é graças a esses elementos que conectam diferentes sistemas.

Mas por que a América Latina demorou a entrar nesse movimento e precisou de um empurrão da pandemia de covid-19? Historicamente, a região tem um atraso em relação aos países mais desenvolvidos quando o assunto é tecnologia. Enquanto a América do Norte e a Europa debatiam e preparavam as bases para a digitalização dos negócios entre os anos 1980 e 1990, por aqui os países começaram a se mexer apenas no século 21, com regulamentação e políticas públicas. Ou seja, não havia segurança jurídica, estímulo a investimentos e criação de um ecossistema vantajoso para inovação.

A questão é que a transformação digital é um caminho sem volta em um mundo global, o que obriga todas as regiões a acompanharem essa evolução tecnológica. Antes da pandemia de covid-19, as empresas latino-americanas se preparavam para o boom no mercado de SaaS (software como serviço). Estimativas indicam que apenas um quarto das companhias da região utilizam aplicações na nuvem, enquanto na América do Norte este índice é superior a 40%. Ou seja, há um espaço a ser preenchido pelos fornecedores de tecnologia, o que apontava um crescimento acelerado nos próximos anos na adoção destas ferramentas.

Com o novo coronavírus embaralhando as estratégias de negócios em todo o mundo e a transformação digital virando aceleração digital, percebe-se uma redução na espera pela adoção desses conceitos. O boom do SaaS, por exemplo, já acontece nos principais centros da América Latina, como o Brasil, e traz consigo a importância da API Economy. A proposta ganha força em determinados setores, como a consolidação do e-commerce no varejo e a regulamentação do open banking no mercado financeiro. Nos próximos anos, certamente mais e mais empresas descobrirão um novo mundo de vantagens por meio das APIs.

As instabilidades políticas e econômicas que acometeram a América Latina ao longo do século 20 cobram o seu preço atualmente, deixando a região para trás na valorização da inovação, empreendedorismo e tecnologia. É um caminho longo a percorrer, mas felizmente é possível alcançar o desenvolvimento. O primeiro passo é compreender a importância de aplicações, sistemas e softwares nos processos das organizações não apenas durante a pandemia, mas principalmente após a covid-19. O que a API Economy mostra é que, mais do que ferramentas para o dia a dia, esses recursos podem se tornar fontes lucrativas para a rentabilidade de qualquer negócio.

*Diogo Lupinari é CEO e cofundador da Wevo

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