Palocci, preso nesta segunda, também é investigado por propinas em Belo Monte

Preso nesta segunda, 26, alvo da 36ª fase da Lava Jato, ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil dos governos Lula e Dilma ainda é alvo de outra frente de apuração em obra do setor elétrico

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

26 de setembro de 2016 | 07h56

Usina de Belo Monte. Foto: Divulgação

Usina de Belo Monte. Foto: Divulgação

Preso nesta segunda, 26, o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil, governo Lula e Dilma Rousseff) por suposto envolvimento em propinas no esquema Petrobrás, ele também é investigado por corrupção nas obras da usina hidrelétrica de Belo Monte – negócio de R$ 13 bilhões.

O empresário Otávio Marques Azevedo, presidente afastado da Andrade Gutierrez, afirmou em sua delação premiada, homologada em maio, que Palocci cobrou o repasse de R$ 15 milhões, referentes aos contrato de na construção da usina, para economista Defim Netto – ex-ministro da Fazenda na ditadura e um dos principais conselheiros do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Parte dos valores teria sido repassado ao PT via doações oficiais nas campanhas de 2010, 2012 e 2014.

“Antonio Palocci, provavelmente em São Paulo, solicitou ao declarante o pagamento de R$ 15 milhões para Delfim Netto dedutível do 1% de propina a ser paga”, afirmo o presidente afastado da Andrade, em seu termo de delação sobre Belo Monte. “A empresa atendeu essa determinação de Palocci, porém descontou o valor pago a Delfim do montante total solicitado aos partidos PMDB e PT, em partes iguais.”

O leilão para construção e operação de Belo Monte foi realizado entre 2010 e 2011. Um dos consórcios era integrado pela Andrade Gutierrez. Preso pela Lava Jato, em Curitiba, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro no esquema da Petrobrás, Azevedo fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR), com outros executivos do grupo, e a empresa fez um acordo de leniência. Segundo ele, 1% do bilionário contrato das obras de Belo Monte envolveu propina acertada com PMDB e PT.

Palocci foi ministro da Fazenda no governo Luiz Inácio Lula da Silva e ministro da Casa Civil do governo Dilma Rousseff e um dos principais responsáveis por sua campanha em 2010. Outros delatores da Lava Jato haviam revelado sua suposta participação em propinas. Por meio de sua defesa, ele afirmou, em outra ocasião, que “jamais solicitou de quem quer que seja dinheiro ilícito”.

Omertà. Alvo principal da 36ª fase – batizada de Operação Omertà -, Palocci foi um dos principais responsáveis pela campanha de Dilma, em 2010. Outros delatores da Lava Jato haviam revelado sua suposta participação em propinas.

Na investigação que levou Palocci à cadeia, ele é suspeito de receber propinas da Odebrecht, que identificada o ex-ministro como “italiano” nas planilhas do Departamento de Operações Estruturas, chamado por investigadores de “departamento da propina”.

A Lava Jato aponta que ele atuou para aprovação de uma medida provisória, em 2009, para beneficiar empreiteiras e para o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Estratégico e Social (BNDES) para a África, onde empreiteira brasileira atuava.

Na delação de Azevedo, ele e outros executivos do grupo afirmaram que 1% do bilionário contrato das obras de Belo Monte envolveu propina acertada com PMDB e PT. Uma figura ativa desses negócios seria o irmão do ex-ministro da Fazenda e Casa Civil Adhemar Palocci, conhecido como “Paloccinho”.

“O pagamento do PT foi feito em doação oficial, ou seja, em doação eleitoral. O pagamento do PMDB, não sabe informar que foi feito em doação eleitoral, mas, possivelmente, também pode ter sido pago parte em dinheiro”, afirmou o empreiteiro.

Doações. Azevedo afirmou que a campanha de 2014 do PT recebeu R$ 4,5 milhões em doações da Andrade Gutierrez, que seria referente a R$ 10 milhões do acerto de Belo Monte. “Os valores a título de propina, no caso do PT, foram realizados, em parcelas, como doação eleitoral, como já dito. Que, no caso do PT, as propinas foram pagas, no montante de (R$) 10 milhões, da seguinte forma: em 2010, o valor de 2,5 milhões de reais; em 2012, o valor de 1,6 milhão de reais; em 2014, no valor de 4,5 milhões de reais e, para Delfim Netto, o valor de 1,4 milhões de reais”, registra o Termo de Colaboração 02, de Azevedo, sobre Belo Monte.

“O pagamento do PT foi feito em doação oficial, ou seja, em doação eleitoral. O pagamento do PMDB, não sabe informar que foi feito em doação eleitoral, mas, possivelmente, também pode ter sido pago parte em dinheiro”, afirmou o empreiteiro.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE ANTONIO PALOCCI

O criminalista José Roberto Batochio, defensor de Palocci, afirma que o ex ministro nunca recebeu vantagens ilícitas. Batochio disse que ainda não tem detalhes sobre os motivos da prisão de Palocci.

Batochio acompanhou Palocci à superintendência da PF em São Paulo.

O criminalista foi enfático ao protestar contra o que chamou de ‘desnecessidade’ da prisão do ex-ministro. Ele criticou, ainda, o nome da nova fase da Lava Jato, Omertà.

“A operação que prendeu o ex-ministro é mais uma operação secreta, no melhor estilo da ditadura militar. Não sabemos de nada do que está sendo investigado. Um belo dia batem à sua porta e o levam preso. Qual a necessidade de prender uma pessoa que tem domicílio certo, que é médico, que pode dar todas as explicações com uma simples intimação?”

“O que significa esse nome da operação? Omertà? Só porque o ministro tem sobrenome italiano se referem a ele invocando a lei do silêncio da máfia? Além de ser absolutamente preconceituosa contra nós, os descendentes dos italianos, esta designação é perigosa.”

COM A PALAVRA, A ODEBRECHT

A empresa não vai se manifestar sobre o tema.

Tudo o que sabemos sobre:

operação Lava Jato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: