Palocci negocia com Procuradoria no DF delação sobre fundos de pensão

Palocci negocia com Procuradoria no DF delação sobre fundos de pensão

Ex-ministro foi ouvido por integrantes da força-tarefa Greenfield, que também mira fraudes na Caixa e no BNDES, nesta segunda-feira, 7

Teo Cury e Fabio Serapião / BRASÍLIA

07 Janeiro 2019 | 16h00

Antonio Palocci. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

O ex-ministro Antonio Palocci negocia com a Procuradoria da República no Distrito Federal um novo acordo de delação premiada no âmbito da Operação Greenfield, que apura desvios nos maiores fundos de pensão – principalmente Funcef, Petros e Previ –, no FGTS e na Caixa. Ele chegou a Brasília nesta segunda-feira, 7, pela manhã.

A força-tarefa da operação pediu autorização ao juiz Danilo Pereira Júnior, da 12.ª Vara Federal de Curitiba, para que Palocci fique na capital federal até esta quarta-feira, 9, para concluir as tratativas.

Palocci viajou de São Paulo a Brasília de carro, para evitar exposição em aeroportos. O ex-ministro deixou a prisão em novembro do ano passado, após ficar preso por mais de dois anos, para cumprir pena provisória em regime semiaberto domiciliar, com tornozeleira eletrônica.

Em novembro, o Estado antecipou que Palocci, em delação feita à Polícia Federal, relatou suposta atuação criminosa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato, para viabilizar o projeto de nacionalizar a indústria naval e arrecadar recursos para campanhas do PT, em especial a da primeira eleição de Dilma Rousseff, em 2010, na esteira da descoberta do pré-sal.

Os dois ex-presidentes petistas, segundo Palocci disse à PF, teriam determinado indevidamente a cinco ex-dirigentes dos fundos de pensão do Banco do Brasil (Previ), da Caixa (Funcef) e da Petrobrás (Petros), indicados pelo PT, que capitalizassem o “projeto sondas”.

Negociação. Palocci chegou nesta segunda ao prédio da Procuradoria, em Brasília, por volta das 9h30. Três horas depois, deixou o local para almoçar e retornou às 14h para dar continuidade às conversas com a força-tarefa.

Encerrou o primeiro dia de depoimento por volta das 18h40 e deixou o prédio acompanhado de seus advogados, sem falar com a imprensa.

Quando a Operação Greenfield foi deflagrada, em 2016, a força-tarefa apurava desvios de R$ 8 bilhões nos fundos de pensão Funcef, Petros, Previ e Postalis. No ano passado, ao apresentar relatório, a força-tarefa apontou que os desvios dos fundos de pensão de estatais podem ter um potencial prejuízo de R$ 54 bilhões.

Sete Brasil. A operação financeira que resultou na criação da empresa Sete Brasil, em 2010, buscava viabilizar a construção no País de navios-sonda – embarcações que perfuram os poços de petróleo – para a Petrobrás explorar o pré-sal. “Dentro desse investimento, tinha todo ilícito possível”, afirmou o ex-ministro, em depoimento aos investigadores da PF.

A Sete Brasil quebrou cinco anos depois de montada. De 28 navios-sonda contratados com estaleiros no Brasil, a maior parte está com a construção parada ou sequer saiu do papel.

À época da divulgação da delação de Palocci, as defesas de Lula e Dilma negaram todas as acusações em relação ao caso e afirmaram que o ex-ministro “mente” para deixar a prisão.

Procuradas nesta segunda, elas não foram localizadas.

Cargos. Além de ministro da Fazenda no governo Lula e da Casa Civil da gestão de Dilma, Palocci foi um dos coordenadores das campanhas eleitorais do PT e fazia a interface do partido com o empresariado e com o setor financeiro.

Também foi membro do Conselho de Administração da Petrobrás e responsável por indicar alguns presidentes de fundos de pensão das estatais.

O ex-ministro foi condenado a 9 anos e 10 dias de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Em setembro de 2016, foi preso na Operação Omertà, um dos desdobramentos da Lava Jato.

Para se livrar da prisão, fechou acordo de delação com a PF, homologado pelo desembargador João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4). A delação tem 18 termos de depoimento.