Palocci detalha pagamento de pesquisa eleitoral por empreiteira a pedido do PT

Palocci detalha pagamento de pesquisa eleitoral por empreiteira a pedido do PT

Termo 04 da delação premiada do ex-ministro revela acertos de corrupção da Andrade Gutierrez em custeio de levantamento Vox Populi para a eleição presidencial de 2010, em que Dilma Rousseff foi eleita sucessora de Lula

Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Luiz Vassallo

23 de janeiro de 2019 | 17h03

O Termo 04 da delação premiada de Antônio Palocci trata sobre pagamento de pesquisa eleitoral, do Vox Populi, em 2010 pela Andrade Gutierrez como parte de acertos de propinas em contratos com o governo federal. Naquele ano, Dilma Rousseff seria eleita sucessora de Luiz Inácio Lula da Silva.

“A ilicitude residia no pagamento de custos da campanha pela Andrade Gutierrez junto ao Vox Populi, dando-se portanto aparência de legalidade aos pagamentos feitos pela empresa”, registra o termo do depoimento anexado nesta segunda-feira, 21, ao inquérito da Polícia Federal, em Curitiba, que apura os fatos.

Documento

A PF fechou acordo de delação premiada com Palocci em 2018 – homologado em junho pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) – no âmbito da Operação Lava Jato.

O inquérito conduzido pelo delegado Filipe Hille Pace, que negociou o acordo com a defesa de Palocci, investiga pagamentos de empreiteiras acusadas de corrupção e cartel em benefício de Lula. A Schahin é outra que pagou pesquisas da Vox Populi.

Apoio. Palocci explica que o esquema não envolvia tentar fraudar as pesquisas, e sim ocultar recursos de corrupção em serviços que eram de interesse da campanha do PT.

“As pesquisas realizadas pelo Vox Populi não foram compradas para alteração dos resultados”, explica Palocci. Segundo ele, “o partido desejava a produção das melhores pesquisas, pois eram utilizadas pela própria coordenação da campanha para orientação da forma de atuação”.

Coordenador da campanha de Dilma em 2010, Palocci disse que “as pesquisas que não eram favoráveis ao PT eram mantidas sigilosas, ao passo que pesquisas favoráveis eram amplamente divulgadas ao público”.

Naquele momento, Palacci diz que o “PT buscava a expansão das pesquisas, pois estavam na iminência de se iniciar o período de propaganda eleitoral na televisão”.

O delator disse que foi informado na época por Giles de Azevedo, um ex-assessor de Dilma, que a Andrade Gutierrez pagaria as pesquisas.

“Foi lhe informado que a Andrade Gutierrez preferia efetivar os pagamentos para o PT, à título de caixa dois. mediante depósitos para o Vox Populi.” O motivo seria que a empreiteira “já possuía grande contrato” e isso facilitaria a “dissimulação das ilicitudes das transferências”.

Contratos. A PF anexou dados dos contratos da Andrade Gutierrez e Vox Populi e depoimentos de envolvidos, entre eles os delatores da empreiteira, Otávio Azevedo e Flávio Machado.

“Otávio Azevedo narra que os contratos celebrados entre a Andrade Gutierrez e o Instituto Vox Populi nos anos de 2010 e 2012, num valor total de aproximadamente R$ 11,5 milhões, tiveram por finalidade precípua o custeio de pesquisas eleitorais encomendadas pelo Partido dos Trabalhadores (PT) na campanha presidencial de 2010 e nas campanhas municipais de 2012.”

Palocci disse que conversava sobre o acerto com Otávio Azevedo, o ex-presidente da Andrade Gutierrez, que chegou a ser preso e depois virou delator da Lava Jato. Em seu acordo, ele confessou os pagamentos de pesquisa Vox Populi em benefício do PT e citou pedido do ex-tesoureiro João Vaccari Neto – preso e condenado.

“Otávio esclarecia que os pagamentos ao Vox Populi era a melhor forma que a Andrade Gutierrez tinha de dar apoio ao PT, pois a empresa já teria um grande contrato com o instituto de pesquisas”, registra Palocci.

“Visava esconder o ilícito empresarial e eleitoral.”

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA LUIZ FLÁVIO BORGES D’URSO, DEFENSOR DE VACCARI

O advogado criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, defensor de João Vaccari, afirmou que seu cliente ‘jamais foi tesoureiro de campanha e nunca solicitou qualquer recurso para campanha de quem quer que seja’.

“O sr Vaccari foi tesoureiro do PT e, dessa forma, solicitava doações legais somente para o partido, as quais eram realizadas por depósito em conta bancária do partido, com recibo e com prestação de contas às autoridades”, sustenta o criminalista.

D’Urso conclui: “O sr Vaccari jamais solicitou ou recebeu qualquer recurso em espécie para o PT, muito menos a título de propina. Quem eventualmente o acusa é um delator, que nada prova, pois tratam-se de mentiras para obter diminuição de pena.”

COM A PALAVRA, DILMA ROUSSEFF

A propósito das supostas novas declarações do senhor Antônio Palocci, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff registra:

Mais uma vez, o senhor Antônio Palocci mente em delação premiada, tentando criar uma cortina de fumaça porque não tem provas que comprometam a idoneidade e a honra da presidenta Dilma.

É fantasiosa a versão de que ela teria “dado corda” para a Lava Jato “implicar” Lula. Isso não passa de uma tentativa vazia de intrigá-la com o presidente Lula.

Na verdade, a delação implorada de Palocci se constitui num dos momentos mais vexaminosos da política brasileira, porque revela o seu verdadeiro caráter.

Assessoria de Imprensa
Dilma Rousseff

COM A PALAVRA, LULA

A Lava Jato tem quase 200 delatores beneficiados por reduções de pena. Para todos perguntaram do ex-presidente Lula. Nenhum apresentou prova nenhuma contra o ex-presidente ou disse ter entregue dinheiro para ele. Antônio Palocci, preso, tentou fechar um acordo com o Ministério Público inventando histórias sobre Lula. Até o Ministério Público da Lava Jato rejeitou o acordo por falta de provas e chamou de “fim da picada”.

Mas o TRF-4 decidiu validar as falas sem provas de Palocci, que saiu da prisão e foi para a casa, com boa parte de seu patrimônio mantido em troca de mentiras sem provas contra o ex-presidente. O que sobra são historinhas para gerar manchetes caluniosas.

Todos os sigilos fiscais de Lula e sua família foram quebrados sem terem sido encontrados valores irregulares.

Há outros motoristas e outros sigilos que deveriam ser analisados pelo Ministério Público, que após anos, segue sem conseguir prova nenhuma contra Lula, condenado por “atos indeterminados”. Curiosa a divulgação dessa delação sem provas justo hoje quando outro motorista ocupa o noticiário.

Assessoria de Imprensa do ex-presidente Lula

COM A PALAVRA, VOX POPULI

A reportagem entrou em contato com a empresa. O espaço está aberto para manifestação.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: