Palocci afirma que Lula e Sarkozy acertaram propina em compra de submarinos e helicópteros

Palocci afirma que Lula e Sarkozy acertaram propina em compra de submarinos e helicópteros

Em depoimento na Justiça Federal nesta segunda, 18, ex-ministro dos governos do PT afirma que encontro entre os ex-presidentes brasileiro e francês ocorreu em 7 de setembro de 2009 e 'teve como objetivo selar a aquisição dos equipamentos para as Forças Armadas brasileiras'

Fabio Serapião/BRASÍLIA

18 de março de 2019 | 17h15

Lula e Sarkozy. Foto: Dida Sampaio/ESTADÃO

O ex-ministro Antônio Palocci (Fazenda/Casa Civil/Governos Lula e Dilma) narrou em depoimento à Justiça Federal, em Brasília, uma reunião entre os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, da França, em que teria sido negociado o pagamento de propina para a compra de helicópteros e a construção de submarinos nucleares pelo Brasil.

O ex-ministro prestou depoimento na manhã desta segunda-feira, 18, via teleconferência da Justiça Federal em São Paulo. A oitiva se deu no âmbito da ação penal da operação Zelotes em que o ex-presidente Lula é réu por suposto tráfico de influência na compra dos caças suecos da marca Grippen e na edição da MP 627.

A reunião, disse Palocci, foi realizada em 7 de setembro de 2009 e teve como objetivo selar a aquisição dos equipamentos para as Forças Armadas brasileiras.

Na versão dada pelo ex-ministro, o acordo também englobaria a compra de caças pelo Brasil, mas nesse caso o acordo não vingou. Anos depois, o governo brasileiro adquiriu os aviões da sueca Saab.

Palocci disse que em seu acordo de colaboração firmado com a Polícia Federal e Ministério Público abordou detalhes sobre a compra dos submarinos e helicópteros, mas não tem informações sobre a aquisição dos caças suecos.

Segundo ele, na reunião realizada em 2009 foi feito um “acordo do conjunto da compra” e teria se discutido “ilícitos”. Parte do dinheiro relacionado as negociações, explicou Palocci, teria sido destinada ao PT.

A construção dos submarinos já havia sido citada no acordo de colaboração de executivos da Odebrecht, parceira de uma empresa francesa no projeto.

Segundo os delatores, parte da propina teria sido paga ao PT e outra teria sido encaminhada a um operador de propina ligado aos franceses. O caso é investigado pela Procuradoria da República do Distrito Federal.

Também ouvido pela Justiça Federal nesta segunda-feira, 18, o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim negou que na reunião entre Lula e Sarkozy tenha se discutido o pagamento de propina.

Segundo Jobim, presente no encontro, a conversa teve como objetivo tratar do preço das aquisições e contratações.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO CRISTIANO ZANIN MARTINS, QUE DEFENDE LULA

O depoimento prestado hoje (18/03) pelo ex-Ministro Antônio Palocci perante o Juízo da 10ª. Vara Federal de Brasília só serviu para deixar ainda mais claro que ele negociou generosos benefícios com autoridades em troca de múltiplas e esfarrapadas acusações contra o ex-Presidente Lula.

Quando confrontado pela defesa de Lula, Palocci admitiu que suas afirmações não foram presenciadas ou testemunhadas por qualquer pessoa, deixando claro o caráter imprestável de seu depoimento. Durante a ação penal, 30 testemunhas prestaram depoimento e todas elas, inclusive aquelas arroladas pelo MPF, demonstraram que Lula não cometeu qualquer ato ilícito. Dentre as pessoas ouvidas estão os dos ex-Presidentes Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso, ex-Ministros de Estado, membros das Forças Armadas e servidores da Presidência da República. A lisura da conduta de Lula foi confirmada também nesta data pelo depoimento prestado pelo ex-Ministro Nelson Jobim.

Palocci foi ouvido como testemunha do Juízo a pedido do MPF. Trata-se de arrolamento extemporâneo da acusação, baseado em referência artificial a “caças” feita pelo ex-Ministro em depoimento prestado em 26/06/2018 no âmbito da Operação Greenfield, que não tem qualquer relação com o objeto da ação penal relativa ao depoimento hoje prestado.

Em petição protocolada nesta tarde, demonstramos ao Juízo que embora Palocci tenha negado peremptoriamente sua iniciativa de incluir o tema dos “caças” naquele depoimento da Operação Greenfield, telas capturadas a partir do vídeo correspondente àquele depoimento mostram suas anotações e, consequentemente, sua intenção de tratar do tema, situação absolutamente incompatível com a isenção que se espera de uma real testemunha.

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