Pai do ministro Picciani diz que vai processar executiva por ‘vacas superfaturadas’

Pai do ministro Picciani diz que vai processar executiva por ‘vacas superfaturadas’

Deputado Jorge Picciani (PMDB), presidente da Agrobilara Comércio, rechaça denúncia de Tania Fontenelle, da Carioca Engenharia, que afirmou ter comprado gado com sobrepreço para 'gerar dinheiro em espécie'

Julia Affonso, Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

17 de outubro de 2016 | 17h20

Da esquerda para a direita: Rafel Picciani, Leonardo Picciani, Jorge Picciani e Felipe Picciani. Foto: Divulgação

Da esquerda para a direita: Rafel Picciani, Leonardo Picciani, Jorge Picciani e Felipe Picciani. Foto: Divulgação

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Jorge Picciani (PMDB), pai do ministro Leonardo Picciani (Esportes/Governo Temer), afirmou em nota nesta segunda-feira, 17, que vai processar a matemática Tania Fontenelle, ligada à Carioca Engenharia.

Documento

Em acordo de leniência, ela declarou que ‘comprou vacas superfaturadas’ da empresa Agrobilara Comércio e Participações Ltda para ‘gerar dinheiro em espécie’ para a empreiteira.

“A Agrobilara, por mim presidida, está à disposição das autoridades para comprovar a improcedência das afirmações desta senhora, que será por nós processada e instada a provar que teria havido superfaturamento e/ou devolução de recursos em espécie da nossa parte, caso as informações do jornal a propósito de possível acordo de leniência se confirmem”, afirmou Jorge Picciani.

Jorge Picciani. Foto: Marcos Arcoverede/Estadão

Jorge Picciani. Foto: Marcos Arcoverede/Estadão

São controladores da Agrobilara, além do presidente da Assembleia Legislativa do Rio, seus filhos, os também peemedebistas Leonardo Picciani – ministro dos Esportes dos governos Dilma Rousseff e Michel Temer -, e Rafael Picciani – deputado estadual, secretário de coordenação de Governo da Prefeitura do Rio.

Em Termo de Manifestação de Adesão e de Depoimento firmado com o Ministério Público Federal e homologado pela 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF e pelo juiz Sérgio Moro, da 13.ª Vara Federal de Curitiba, a matemática afirmou que ‘recebia solicitações de acionistas e diretores da Carioca Engenharia para providenciar dinheiro em espécie e assim procedia’.

“Essas empresas recebiam da Carioca Engenharia os pagamentos previstos nos contratos, retinham a parte referente à real prestação de serviços, quando havia, ficavam com uma comissão entre 25% e 30% e devolviam em espécie o restante à depoente (Tania Fontenelle)”, declarou no âmbito do Termo de Manifestação de Adesão e de Depoimento.

Tania citou a Agrobilara Comércio e Participações Ltda. De acordo com dados da Receita Federal, a empresa da família Picciani tem capital social de R$ 40 milhões.

“Agrobilara Comércio e Participações LTDA, mediante a compra, por empresa do grupo da Carioca Engenharia, de animais bovinos com preços superavaliados; que os animais (vacas) foram efetivamente entregues, porém parte do valor pago foi devolvida em espécie à Carioca Engenharia”, afirmou Tania.

A executiva ligada à Carioca afirmou que ‘simplesmente atendia as solicitações de obter dinheiro em espécie e entregava a quem fazia a solicitação ou a pessoas
da empresa por eles indicadas’.

A ÍNTEGRA DA NOTA DE JORGE PICCIANI

“Desconhecemos quem seja essa senhora, que – caso a informação dada ao jornal seja verídica – está praticando um crime ao mentir para as autoridades.

A família proprietária da Carioca é, como se sabe, antiga e conhecida criadora de gado Nelore. E a Agrobilara, como se sabe igualmente, uma das principais fornecedoras de genética de Nelore P.O. do Brasil.

Todas as vendas feitas seguiram rigorosamente os preços praticados no mercado, e eventualmente até abaixo dele, com notas fiscais emitidas mediante cobrança bancária e impostos devidamente recolhidos.

Todas as transações podem ser comprovadas, assim como as entregas e transferências de propriedade, através do livro de registro da ABCZ (Associação Brasileira de Criadores de Zebu).

A Agrobilara, por mim presidida, está à disposição das autoridades para comprovar a improcedência das afirmações desta senhora, que será por nós processada e instada a provar que teria havido superfaturamento e/ou devolução de recursos em espécie da nossa parte, caso as informações do jornal a propósito de possível acordo de leniência se confirmem.”

Atenciosamente

Jorge Picciani