Padre de Gim Argello relata a Moro que dinheiro da OAS bancou festa

Padre de Gim Argello relata a Moro que dinheiro da OAS bancou festa

Moacir Anastácio, da Paróquia São Pedro, em Taguatinga (DF), depôs na Lava Jato e contou que recebeu 'doações' também da Andrade Gutierrez e da Via Engenharia

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

10 de agosto de 2016 | 05h00

Paróquia São Pedro em Taguatinga. Foto: Fabio Fabrini/Estadão

Paróquia São Pedro em Taguatinga. Foto: Fabio Fabrini/Estadão

Padre Moacir Anastácio, da Paróquia São Pedro, em Taguatinga (DF), afirmou ao juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, que uma doação de R$ 350 mil da OAS para a igreja foi intermediada pelo ex-senador Gim Argello (PTB-DF) e serviu para custear a Festa de Pentecostes.

A força-tarefa da Lava Jato descobriu que a OAS repassou R$ 350 mil à paróquia, em 2014. A transferência teria sido uma exigência de Gim Argello, parte de uma propina para que o então senador não convocasse o executivo o José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, da empreiteira, para depor à CPI da Petrobrás.

Ao juiz Moro, o padre contou que, em 2014, recebeu doação também da Andrade Gutierrez e da Via Engenharia. Estes repasses teriam sido feitos a pedido do ex-governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz, segundo o religioso.

O padre foi arrolado como testemunha de Valério Neves Campos, ex-assessor de Gim Argello, e prestou depoimento na sexta-feira, 5. No início da audiência, Moro disse acreditar que as perguntas não teriam relação com ‘confissão religiosa’.

“Evidentemente, acredito que não vai ter nenhuma questão relativa a confissão religiosa. Provavelmente, este problema não vai se colocar. Se houver algum questão dessa espécie, o sr. por gentileza nos avise”, disse o magistrado, preocupado em não violar uma tradição milenar da Igreja.

A Lava Jato investiga o padre. Relatório da Receita Federal aponta que Moacir Anastácio não declarou a propriedade de uma fazenda, no Ceará, e dois carros, um deles uma Toyota Hilux.

Dono de um patrimônio de R$ 3,3 milhões, o religioso começou a ser investigado na Operação Lava Jato após a Paróquia receber o repasse de R$ 350 mil da construtora OAS, a pedido de Gim Argello (PTB-DF).

Na audiência, perante o juiz Moro, ele declarou que o ex-senador ‘frequentou muito tempo’ a Paróquia. Segundo o padre, Gim Argello ‘ia nas missas’ e ‘participava como fiel’.

“Nos últimos oito anos, ele frequentou sempre. Mas sempre como fiel, participando”, disse a Moro.

Moacir Anastácio declarou que a Festa de Pentecostes é ‘feita com doação dos fieis promoções de artigos religiosos e doações dos empresários’.

“A equipe pediu para ele (Gim Argello) para arrumar empresários para nos ajudar. Isso é comum”, disse o padre.

“Em 2014, ele arrumou doação. Entrou diretamente na conta da Paróquia São Pedro, dessa empresa OAS.”

Na audiência, o Ministério Público Federal questionou o padre sobre o preço da festa.

“Depende. Geralmente, se não tiver muito gasto, muita promoção, fica em R$ 600 mil, por aí. Mas tem ano que é um pouco mais”, afirmou.

“É uma semana de festa, consiste em celebração de missas, orações e evangelização. Não tem show, não. Depende do ano, tem um público mais ou menos de 1 milhão de pessoas por dia. Nos últimos três dias, sexta, sábado e domingo.”

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